CAMPANHA NACIONAL: Bancários esperam proposta decente dos bancos nesta sexta-feira

Depois de quase dois
meses de negociações, os bancos finalmente devem apresentar uma
contraproposta para as reivindicações da Campanha Nacional dos
Bancários, em reunião marcada para esta sexta-feira, dia 25. 

Na
semana passada, os representantes dos bancários e dos bancos
discutiram os últimos pontos da pauta de reivindicações. “Agora,
esperamos uma contraposta decente para as demandas discutidas”, diz
a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, que representa
Pernambuco nas negociações com a Fenaban.

Segundo Suzineide,
foram realizadas até agora quatro rodadas de negociações,
divididas em seis reuniões. “Os bancos tiveram muito tempo para
analisar nossas reivindicações, que foram entregues no dia 11 de
agosto. Esperávamos avanços ao longo das negociações, mas os
bancos não se comprometeram com nada e ainda empurraram a
apresentação da proposta para o dia 25”, conta.

Suzineide
destaca que, durante a última rodada de negociação, os sindicatos
deixaram claro para a Fenaban que, caso a proposta não contemple os
anseios dos bancários, a categoria está disposta a encarar mais uma
greve por tempo indeterminado.

“Os bancários já estão
mobilizados em todo o Brasil. Em Pernambuco, o Sindicato tem
realizado reuniões diárias nos locais de trabalho e atos semanais
de protesto desde o início de agosto. A categoria está pronta e
disposta a encarar a greve, se for necessário”, afirma
Suzineide.

Ela lembra que, somente no primeiro semestre deste
ano, os cinco maiores bancos que operam no Brasil (Itaú, Bradesco,
Santander, Banco do Brasil e Caixa) lucraram R$ 36,3 bilhões, ou
27,3% a mais que no mesmo período do ano passado. “Não há crise
para os bancos. Eles têm totais condições de atenderem nossas
reivindicações, que são justas”, ressalta Suzineide.

Entre
as principais reivindicações estão o índice de reajuste de 16%
(reposição da inflação mais aumento real de 5,7%), piso salarial
no valor de R$ R$ 3.299,66 e PLR de três salários base mais parcela
adicional fixa de R$ 7.246,82. Os bancários reivindicam, ainda,
melhores condições de trabalho, com o fim das metas individuais e
abusivas. “Mas nossa principal demanda é a proteção ao emprego,
que está em risco por conta da ganância dos bancos”, conclui
Suzineide.

NEGOCIAÇÃO RODADA A RODADA

Primeira
rodada
Na primeira rodada de negociação, realizada no
dia 19 de agosto, os representantes dos bancos não assumiram
compromisso com a manutenção dos empregos da categoria. Os
bancários reivindicaram também o fim da rotatividade, o combate à
terceirização, inclusive via correspondentes bancários, e a
criação de um grupo de trabalho para discutir a automação, entre
outros pontos da pauta.

Segunda rodada A
segunda rodada de negociação, aconteceu nos dias 2 e 3 de setembro,
e tratou os temas saúde, condições de trabalho e segurança. Foram
dois dias de debates intensos e os bancos trataram as reivindicações
sem o empenho que merecem. A mesa sobre saúde teve continuidade no
dia 15 de setembro, quando os bancos admitiram, pela primeira vez, o
crescimento do adoecimento entre os trabalhadores, baseado nos
números fornecidos por eles no Grupo de Trabalho (GT) bipartite de
causas do adoecimento bancário.

Terceira rodada –
O não continuou sendo a palavra usada pelos banqueiros na hora
de negociar as reivindicações sobre igualdade de oportunidades, as
quais visam corrigir discriminações históricas de gênero, raça e
orientação sexual nos locais de trabalho. E a terceira rodada,
realizada no dia 9 de setembro, também terminou sem avanços.

Quarta
rodada –
Mesmo com os lucros nas alturas, os bancos não
apresentaram propostas sobre as reivindicações de remuneração
entregues pelo Comando Nacional dos Bancários, incluindo o reajuste
salarial de 16%, na última rodada, em 16 de setembro. Nos últimos
10 anos (2004 a 2014), a categoria bancária conquistou aumento real
de 20,7%.

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