Bancos fazem proposta ridícula e bancários marcam greve para o dia 6

Um verdadeiro insulto.
Assim o Comando Nacional dos Bancários considerou a proposta dos
bancos apresentada nesta sexta-feira, dia 25, para as demandas da
Campanha 2015. O reajuste proposto, de 5,5%, não chega nem perto da
inflação de 9,88%. Representaria perdas de 4% para os
trabalhadores.

“É um absurdo. Os bancos são o único
setor econômico que não é afetado pela crise. Pelo contrário: os
lucros só crescem. Vamos construir uma greve forte e dar uma
resposta à altura”, destaca a presidenta do Sindicato, Suzineide
Rodrigues.

A indicação do Comando Nacional dos Bancários
para início da greve por tempo indeterminado é dia 6 de outubro.
“Precisamos deste prazo para cumprir todos os trâmites legais:
realização da assembleia, publicação do aviso de greve em jornal
de grande circulação com 72 horas antes do início do
movimento…”, explica a secretária-geral do Sindicato, Sandra
Trajano.

Em Pernambuco, a assembleia será realizada na
próxima quinta-feira, dia 1º de outubro, às 19h, na sede do
Sindicato (Av. Manoel Borba, 564, Boa Vista).

Segundo
Suzineide, nos últimos dez anos, entre 2004 e 2014, o lucro dos
bancos cresceu 116% e a remuneração dos bancários aumentou 14,9%.
Este ano, a proposta apresentada pela Fenaban (Federação Nacional
dos Bancos) foi a pior dos últimos anos: prevê um abono de R$ 2.500
e reajuste de apenas 5,5% no salário e demais benefícios, como PLR
(Participação nos Lucros e Resultados).

“É quase metade
do índice de inflação. E isso no setor que lucrou R$ 36,3 bilhões
somente no primeiro semestre deste ano – um crescimento de 27,3% em
relação ao mesmo período do ano passado. Setores que estão em
crise, com retração de produção e vendas, fizeram propostas
melhores”, ressalta Suzineide.

Os bancários reivindicam
reajuste de 16%, que inclui reposição da inflação e 5,7% de
aumento real (veja as principais reivindicações e a proposta dos
bancos na página 2).

>> Veja como foram todas as negociações realizadas até agora

REIVINDICAÇÕES
DOS BANCÁRIOS

PROPOSTA
DO BANCO

Reajuste
salarial de 16%. (incluindo reposição da inflação mais 5,7% de
aumento real)

Reajuste
de 5,5% (representa perda de 4% para os bancários em relação à
inflação de 9,88%).

Piso:
R$3.299,66 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores
de junho último).

Piso
portaria após 90 dias – R$ 1.321,26.

Piso
escritório após 90 dias – R$ 1.895,25.

Piso caixa/tesouraria
após 90 dias – R$ 2.560,23 (salário mais gratificação, mais
outras verbas de caixa).

PLR:
3 salários mais R$7.246,82

PLR
regra básica – 90% do salário mais R$ 1.939,08, limitado a R$
10.402,22. Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta
para 2,2 salários, com teto de R$ 22.884,87.

PLR
parcela adicional – 2,2% do lucro líquido dividido linearmente
para todos, limitado a R$ 3.878,16.

Antecipação
da PLR

Primeira
parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção
Coletiva. Pagamento final até 01/03/2016 
Regra
básica – 54% do salário mais fixo de R$ 1.163,44, limitado a R$
6.241,33 e ao teto de 12,8% do lucro líquido – o que ocorrer
primeiro. 
Parcela
adicional – 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2015,
limitado a R$ 1.939,08.

Vales
alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá:
R$788,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

Auxílio-refeição
– R$ 27,43.

Auxílio-cesta
alimentação e 13ª cesta – R$ 454,87.

Auxílio-creche/babá
(filhos até 71 meses) – R$ 378,56.

Auxílio-creche/babá
(filhos até 83 meses) – R$ 323,84
.

Plano
de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.

Gratificação
de compensador de cheques – R$ 147,11.

Auxílio-educação:
pagamento para graduação e pós.

Requalificação
profissional – R$ 1.294,49.

Prevenção
contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por
andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme
legislação. Instalação de portas giratórias com detector de
metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos
caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda
das chaves por funcionários.

Indenização
por morte ou incapacidade decorrente de assalto – R$ 129.522,56

Melhores
condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio
moral que adoecem os bancários.

Emprego:
fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e
combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do
PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção
158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas

Igualdade
de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na
ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas,
transexuais e pessoas com deficiência (PCDs)

Auxílio-funeral
– R$ 868,58

Ajuda
deslocamento noturno – R$ 90,67.

Expediente:
Presidente: Fabiano Moura • Secretária de Comunicação: Diana Ribeiro  Jornalista Responsável: Beatriz Albuquerque  • Redação: Beatriz Albuquerque e Brunno Porto • Produção de audiovisual: Kevin Miguel •  Designer: Bruno Lombardi