Sindicato participa de Seminário sobre resistência negra

O Sindicato participou nesta quarta
(30) de seminário sobre a Resistência do Povo Negro. Promovido pela
Secretaria de Igualdade Racial da CUT-PE, a atividade teve como
objetivo desconstruir o mito da igualdade racial no Brasil, debater
os desafios para superação das desigualdades e estratégias de
organização do movimento negro. Representaram o Sindicato a
secretária de Assuntos da Mulher, Eleonora Costa; a diretora Janaína
Kunst e a bancária aposentada Marli Araújo.

O facilitador do debate foi o
conselheiro político do MNU (Movimento Negro Unificado) em
Pernambuco, José Oliveira. Além de reconstruir o histórico da
resistência e organização dos negros no Brasil e no estado, ele
trouxe à tona a discussão sobre a aplicabilidade da Lei 10639,
quetorna
obrigatório, nas escolas de educação de nível fundamental e
médio, o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.

Uma
das raras negras da categoria bancária, Eleonora Costa coleciona
histórias
de sofrimento por conta da
discriminação. “Eu sempre quis ser rainha do milho. Fazia o maior
esforço pra vender todas as rifas e conseguir me inscrever, mas as
pessoas diziam: – Pra que tudo isso? Você nunca vai ser rainha do
milho! Todos os anos, quando se aproximava a época das procissões,
eu só faltava implorar para ser anjo. Nunca fui…”, lembra.

As
histórias de Eleonora revelam a atrocidade de uma cultura de
preconceito, escamoteada sob o falso mito da democracia racial. “Eu
amava minha professora. Todo dia levava uma flor pra ela… Um dia,
fui premiada pela melhor redação. Quando perguntaram à professora
de quem era o texto, ela apontou: – É aquela, do cabelo duro. Nunca
mais entreguei flor a ela…”, conta Eleonora.

Concursada
do Bandepe, ela continuou sofrendo discriminação: nunca foi
promovida em mais de 25
anos de profissão. “Faço parte de uma categoria em que a prática
da discriminação é muito perversa. As raríssimas pessoas negras
tentam se embranquecer: alisam o cabelo, assinam como pardas nos
formulários de pesquisa”, ressalta a dirigente.

Também
para Janaína Kunst, o seminário foi um momento rico de
aprendizagem. “Há uma palavra que, a partir de agora, entrou em
meu dicionário: Ubuntu. É uma palavra africana que se refere à
capacidade humana de compreender, aceitar e tratar bem o outro.
Ubuntu significa generosidade, solidariedade e o desejo sincero de
felicidade e harmonia entre os homens”,
explica
Janaína.

Expediente:
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