Greve dos bancários cresce em Pernambuco e atinge 70% de adesão no segundo dia

A
greve dos bancários cresceu em Pernambuco neste segundo dia de
paralisação com a adesão de 70% dos 12 mil trabalhadores do
estado. Ao todo, a greve parou, nesta quarta (7), 91% das 314
agências de bancos públicos e 55% das 306 agências de bancos
privados. Também aderiram ao movimento os bancários dos prédios
administrativos e dos postos de serviço.

“A greve está
muito forte. Começamos o movimento com um patamar de adesão muito
alto. E
temos
espaço para crescer ainda mais nos próximos dias. Nossa expectativa
é terminar a semana com 100% de adesão em Pernambuco”, comenta a
presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues.

>> Veja a galeria de fotos do segundo dia de greve
>> Greve cresce no segundo dia com 8.763 agências paradas em todo o país

Para ela, a
disposição de luta dos bancários mostra que a categoria ficou
bastante insatisfeita com a proposta feita pelos bancos nas
negociações da Campanha 2015. “A Fenaban tentou ressuscitar um
modelo de acordo que prejudicou muito os bancários nos anos 90”,
explica.

Naquele tempo, os bancos sempre ofereciam um reajuste
menor que a inflação e, para compensar, davam
um abono que não era incorporado ao salário. “Nos últimos 11
anos, com muita luta e com a estratégia de mesa única de
negociação, que reuniu bancários de bancos públicos e privados em
torno de uma mesma pauta, garantimos aumento real de salário em
todas as campanhas. Não vamos aceitar esse modelo de reajuste menor
que a inflação e abono que os bancos estão tentando nos empurrar
goela abaixo este ano. Por isso a greve é forte”, analisa
Suzineide.

Em Pernambuco, praticamente todas as agências
bancárias da região central do Recife amanheceram fechadas nesta
quarta-feira. No interior, a greve também cresceu, mesmo
nas cidades mais distantes da
capital.

À
tarde, o Sindicato realizou um protesto em
frente à agência do Bradesco localizada na avenida Conselheiro
Aguiar, esquina com a Ernesto de Paula Santos, em Boa Viagem. O
objetivo foi aproveitar a visibilidade da greve para denunciar a
falta de segurança nos bancos, que já resultou em 41 assaltos em
Pernambuco este ano (leia
mais
).

Silêncio
dos bancos –
Apesar
da greve dos bancários ter crescido em Pernambuco e em todo o país,
os bancos se mantiveram em silêncio neste segundo dia de
paralisação. Não houve nenhum sinal da Fenaban para a retomada das
negociações, que
estão paradas
desde o dia 25 de setembro, quando os bancos apresentaram a pior
proposta de acordo dos últimos dez anos. Ofereceram reajuste de 5,5%
(quase a metade da inflação de 9,88% de agosto), que representa
perda real de cerca de 4%; e abono de R$ 2,5 mil, pagos apenas uma
vez e não incorporados ao salário.

Além reajuste salarial
de 16%, os bancários reivindicam valorização do piso no valor do
salário mínimo calculado pelo Dieese (R$ 3299,66 em junho), PLR de
três salários mais R$ 7.246,82, combate às metas abusivas e ao
assédio moral, melhores condições de trabalho, fim da
terceirização e proteção ao emprego, vales-alimentação e
refeição maiores.

Próximos
passos –
O Sindicato realizou no início da noite desta
quarta-feira mais uma assembleia com os bancários para organizar os
próximos passos da greve. 

Durante o encontro, os
trabalhadores aprovaram a realização de um protesto na próxima
sexta-feira, dia 9, para ampliar a pressão sobre os bancos e o
diálogo com a sociedade. O local e o horário do ato ainda não
foram definidos.

A próxima assembleia ficou marcada para
terça-feira da semana que vem, dia 13, às 18h, na sede do Sindicato
(Av. Manoel Borba, 564, Boa Vista, Recife).

>> Veja como foram todas as negociações realizadas até agora
>> Confira as orientações do Sindicato para a greve

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