Protesto bem-humorado fecha a primeira semana de greve dos bancários

Um
protesto alegre, bem humorado e solidário chamou a atenção da
população que passou em frente ao Bradesco da Avenida Dantas
Barreto, no centro do Recife. Encerrando a primeira semana de greve,
os bancários distribuíram uma sopa por um valor simbólico de R$
0,10. “É pra financiar os banqueiros que estão em crise”,
ironizavam os bancários. E completavam: “Crise de riso!”

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A
sopa de dez centavos foi, a princípio, chamada de sopa da miséria,
em alusão àquilo que dava pra comprar com o reajuste proposto pelo
banco. Mas mudou de nome. Virou sopa da solidariedade, pois atraiu
muita gente, todos
solidários
à luta dos bancários. “Afinal, quem pode crer que os bancos estão
em crise com o tamanho dos lucros que tiveram no primeiro semestre?”,
questionou a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues.

Foram
R$
11,714
bilhões do Itaú; R$
8,717
bilhões do Bradesco; R$
8,526
bilhões do Banco do Brasil; R$
3,5
bilhões da Caixa e R$
3,308
bilhões do Santander. “Ou seja, a crise dos bancos é realmente
crise de riso”, reforçaram os diretores do Sindicato.

A
brincadeira envolveu quem passava por perto. O funcionário público
Hamilton Carvalho fez questão de falar ao microfone. “Tem que
parar mesmo. Tem que parar tudo. Os banqueiros e o governo só
entendem quando tem pressão!”.

O grupo de teatro dos
bancários
entoava uma música cujo refrão dizia: “Tô protestando, sou
operário, para ver se o banqueiro paga meu salário!” Logo depois,
convidou as pessoas a se manifestarem quanto aos ingredientes que
deveriam entrar na sopa: mais emprego, mais segurança, respeito,
valorização…

Wilson Lins, instalador técnico, achou o
protesto muito válido. “Esses bancos ganham muito dinheiro e nem
sequer dão segurança!”, disse. “E a sopa tá muito boa!”,
completou.

O
grupo passou, então, a lembrar os ingredientes que não poderiam, de
forma alguma, entrar na receita da sopa: terceirização, assédio
moral, juros altos, filas imensas… “Um ingrediente que tem que
ficar longe de nossa receita é a discriminação. Os bancos não
contratam pessoas negras e impõem um padrão de beleza para seus
trabalhadores”, denunciou a secretária de Assuntos da Mulher do
Sindicato, Eleonora Costa.

Natanael Mendonça, protético, ao
passar em frente ao protesto, comentou: “É tudo verdade isso que
eles estão falando. Eu mesmo sou cliente dessa agência e já passei
mais de 40 minutos esperando na fila. Teve dia de chegar aqui e só
ter um caixa atendendo”.

O Sindicato denunciou, ainda, a
discriminação entre clientes praticada pelos bancos, que
empurram os mais pobres para lotéricas, enquanto reserva aos “vips”
um tratamento especial. “A luta dos bancários é uma luta de toda
a sociedade. Todo mundo perde com a ganância dos banqueiros”,
ressaltou o secretário de Bancos Públicos do Sindicato, Renato
Brito.

E tudo terminou em ciranda. Uma grande roda uniu os
bancários e a população em uma luta que diz respeito a todos.

Greve forte – Os bancários de
Pernambuco encerram a primeira semana de greve com a mobilização em
alta. Nesta sexta-feira, dia 9, quarto dia de paralisação, os
trabalhadores fecharam 87% das unidades bancárias do estado. Nos
bancos públicos, a paralisação é quase total: 98%. Já nos bancos
privados, os bancários fecharam 77% das unidades.

“Os
bancários pernambucanos deram um show de mobilização na primeira
semana. Os trabalhadores estão de parabéns. Agora, precisamos nos
manter fortes na segunda semana e ampliar a greve com a adesão dos
poucos locais que ainda estão funcionando. Só com muita luta vamos
conseguir pressionar a Fenaban e garantir uma campanha vitoriosa”,
afirma Suzineide.

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