O coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra morreu na madrugada de hoje (15), ao 83 anos, em um hospital de Brasília. Um dos principais nomes da repressão durante a ditadura, Ustra fazia tratamento contra um câncer. A causa da morte não foi informada.
Ustra foi chefe do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), do II Exército, em São Paulo, entre 1970 e 1974. Em 2008, a Justiça declarou Ustra culpado por casos de tortura e, em 2012, foi condenado a pagar indenização a família do jornalista Luiz Eduardo Merlino, morto nas dependências do DOI-Codi.
Segundo o projeto Brasil: Nunca Mais, 502 pessoas foram torturadas no DOI-Codi no período em que o órgão era comandado por Ustra. Em 2014, o nome do coronel aparece no relatório final da Comissão Nacional da Verdade, apoiado em documentos que registram a morte e desaparecimento de pelo menos 45 pessoas. Em depoimento à comissão, o coronel negou os casos de tortura, disse ter a “consciência tranquila”, e alegou que defendia o país contra a implantação da suposta “ditadura do proletariado”.
No mesmo ano, ele foi denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) pela morte do militante político Hélcio Pereira Fortes, em 1972. Em julho deste ano, o MPF entrou com denúncia contra o coronel, responsável pela prisão, tortura e morte do operário Carlos Nicolau Danielli, em 1972, ambos os casos ocorridos nos porões do órgão de repressão que comandava.
Em abril, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber suspendeu uma das ações penais contra Ustra, que tramitava na Justiça Federal em São Paulo. Atendendo pedido feito pela defesa do militar, a ministra disse, na decisão, que suspendeu a ação, pois era necessário aguardar o julgamento da Lei da Anistia, pela própria Corte.