Greve forte pressiona os bancos e garante a retomada das negociações


Depois de quatorze dias
de greve, a força da mobilização dos bancários quebrou o silêncio
dos bancos, que finalmente agendaram uma nova rodada de negociação
para esta terça-feira, dia 20, às 16h, em São Paulo. Dirigentes
sindicais de todo o Brasil já começaram a se deslocar para a
capital paulista.

Para a presidenta do Sindicato, Suzineide
Rodrigues, a forte greve dos bancários surpreendeu os bancos, que se
viram obrigados a retomar as negociações. “Os banqueiros
apostaram que o cenário de crise no Brasil iria atrapalhar a greve
dos bancários. Mas, ao contrário, nossa categoria mostrou que é de
luta e construímos uma das paralisações mais fortes das últimas
décadas. Esperamos, agora, que os bancos apresentem uma proposta
decente de acordo que contemple as nossas reivindicações, na
reunião desta terça-feira”, destaca Suzi, que representa
Pernambuco no Comando Nacional dos Bancários.

Foram quatorze
dias de greve até que os bancos decidissem retomar as negociações,
que estavam interrompidas desde o dia 25 de setembro, quando a
Fenaban apresentou a pior proposta de acordo da última década. Os
bancários, então, iniciaram uma forte greve no dia 6 de outubro,
que em Pernambuco conta com a adesão de 87% dos 12 mil bancários
do estado (leia mais).

Às 18h08 desta segunda-feira,
dia 19, a federação dos bancos finalmente enviou mensagem via
e-mail à coordenação do Comando Nacional dos Bancários marcando a
reunião para esta terça-feira, às 16h, em São Paulo.

“Estamos
cobrando a retomada das negociações com a Fenaban desde o dia 1º
de outubro, quando os bancários rejeitaram a proposta ridícula que
os bancos apresentaram, em assembleia realizada pelo Sindicato (leia
mais
). Aliás, desde o início das negociações, em agosto, os
sindicatos não mediram esforços para construir um acordo de forma
dialogada. Mas a intransigência dos bancos empurrou os bancários
para a greve, que vai seguir forte até que a Fenaban apresente uma
proposta digna”, afirma Suzineide.

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Impasse – A
pauta de reivindicações dos bancários foi entregue à Fenaban em
11 de agosto. Desde então, foram realizadas cinco rodadas de
negociação sem qualquer acordo em relação ao índice de reajuste
e demais itens da pauta. No dia 25 de setembro, os bancos
apresentaram proposta de 5,5% de reajuste salarial – que representa
perda de 4% em relação à inflação – mais abono pago uma só
vez no valor R$ 2,5 mil.

>> Veja como foram todas as negociações realizadas até agora

“Esperamos que os bancos tenham
entendido o recado dado pelos bancários nesta forte greve e
apresentem uma proposta nesta terça-feira com aumento digno para os
salários, o piso, a PLR e os vales. E que atenda outras
reivindicações importantes, como a garantia para o emprego dos
bancários e a melhoria das condições de trabalho, com combate ao
assédio moral e às metas abusivas”, ressalta Suzineide.

A
pauta de reivindicações dos bancários prevê, entre outros pontos,
reajuste salarial de 16%, valorização do piso no valor do salário
mínimo calculado pelo Dieese (R$ 3.299,66 em junho), PLR de três
salários mais R$ 7.246,82, combate às metas abusivas e ao assédio
moral, melhores condições de trabalho, fim da terceirização e
proteção ao emprego, vales-alimentação e refeição maiores.

>> Confira a cobertura completa da greve nacional dos bancários

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