

O Sindicato está desde cedo desta terça (20), 6 horas da manhã, em
frente ao Santander da Rua do Imperador. A partir das 10h, realiza
ato em frente a agência e, logo depois, marcha em fila indiana em
direção ao Bradesco da Rua da Concórdia. O objetivo é protestar
contra atitudes dos bancos que ferem o direito de greve. “Os
empregados, sobretudo comissionados, vem sendo pressionados a chegar
de manhã cedo, antes do expediente, ou após encerramento do horário
de atendimento, para realizar trabalho interno. Não vamos admitir
isso”, afirma a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues.
Segundo
Suzineide, há denúncias de que, nas duas agências onde serão
realizados atos nesta terça (20), funcionem centrais de serviço, no
qual o banco reúne trabalhadores, pressionados a furar a greve para
vender produtos ou fazer atendimento a clientes selecionados. “É o
que a gente vem chamando de ratolândia. Tanto nos bancos privados
como nos públicos, as empresas estão criando estes centros de
contingenciamento e forçando os empregados a furar a greve e
realizar serviços internos”, denuncia o diretor do Sindicato,
Epaminondas Neto.
Mesmo
com estas práticas dos bancos, a greve chega à terceira semana em
Pernambuco com mais
de 87% dos 12 mil bancários parados. Nas instituições financeiras
públicas, a paralisação atinge 98% das unidades. Nos bancos
privados, 77% das agências pernambucanas estão fechadas.
NEGOCIAÇÕES
RETOMADAS –A
força da greve garantiu a retomada das negociações. Depois de
quatorze dias de greve, às 18h08 desta segunda-feira (19), a
federação dos bancos finalmente enviou mensagem via e-mail à
coordenação do Comando Nacional dos Bancários marcando a reunião
para esta terça-feira, às 16h, em São Paulo. Dirigentes sindicais
de todo o Brasil já começaram a se deslocar para a capital
paulista.
As
negociações estavam interrompidas desde o dia 25 de setembro,
quando a Fenaban apresentou a pior proposta de acordo da última
década. Os bancários, então, iniciaram uma forte greve no dia 6 de
outubro.
A
pauta de reivindicações dos bancários foi entregue em 11 de
agosto. Desde então, foram realizadas cinco rodadas de negociação
sem qualquer acordo. No dia 25 de setembro, os bancos apresentaram
proposta de 5,5% de reajuste salarial – que representa perda de 4%
em relação à inflação – mais abono pago uma só vez no valor
R$ 2,5 mil.
“Esperamos
que os bancos tenham entendido o recado dado pelos bancários nesta
forte greve e apresentem uma proposta nesta terça-feira com aumento
digno para os salários, o piso, a PLR e os vales. E que atenda
outras reivindicações importantes, como a garantia para o emprego
dos bancários e a melhoria das condições de trabalho, com combate
ao assédio moral e às metas abusivas”, ressalta Suzineide.
A
pauta de reivindicações dos bancários prevê, entre outros pontos,
reajuste salarial de 16%, valorização do piso no valor do salário
mínimo calculado pelo Dieese (R$ 3.299,66 em junho), PLR de três
salários mais R$ 7.246,82, combate às metas abusivas e ao assédio
moral, melhores condições de trabalho, fim da terceirização e
proteção ao emprego, vales-alimentação e refeição maiores.