
A pressão e o assédio
moral dos bancos privados contra a greve dos bancários provocaram
dois protestos no Recife nesta terça-feira (20), 15º dia de
paralisação. A mobilização começou logo cedo, por volta das 6h
da manhã, quando o Sindicato e os bancários se juntaram em frente à
agência do Santander da Rua do Imperador. De lá, os trabalhadores
seguiram, em marcha, até o Bradesco da rua da Concórdia.
Segundo
a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, os bancos privados
têm coagido os funcionários a chegarem antes ou depois do horário
de expediente bancário, para garantir que eles trabalhem durante a
greve.
>> Bancos privados espalham assédio e terror, mas greve continua forte em PE
“Tem bancário que é obrigado a trabalhar antes
mesmo das 6h da manhã. Outros são obrigados a abrir suas agências
depois das 16h, quando termina o expediente e a mobilização dos
grevistas retrai. Mas, apesar das tentativas criminosas de
enfraquecer a greve, a paralisação segue forte em Pernambuco e em
todo o Brasil”, diz Suzi.
O Sindicato escolheu as agências
do Santander da Rua do Imperador e o Bradesco da Concórdia para
realizar os protestos desta terça porque as duas unidades têm
pressionado os bancários para trabalhar fora do horário do
expediente como forma de furar a greve.
“A falta de
responsabilidade social do Santander e do Bradesco é absurda. O Itaú
também tem feito essa pressão criminosa sobre os bancários. Tal
prática configura postura antissindical, que é proibida por lei. O
direito à greve é garantido aos trabalhadores pela Constituição
Federal e não pode ser desrespeitado dessa forma”, ressalta
Suzi.
Assédio sexual – Outro motivo de protesto em
relação ao Santander são as propagandas que o banco tem veiculado,
explorando a imagem de bancários que ocupam função de gerentes. “A
imagem desses trabalhadores, homens e mulheres, têm sido exploradas
como produtos. Alguns foram fotografados em poses sensuais, o que
configura assédio sexual da instituição em relação a eles”,
afirma Tereza Souza, que é diretora da Fetrafi-NE (Federação dos
Trabalhadores do Ramo Financeiro do Nordeste).
A Contraf-CUT
(Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) entrou
com uma representação contra o Santander no Ministério Público
do Trabalho, pedindo a suspensão imediata da peça publicitária
(leia
aqui).

>> Confira a galeria de fotos do protesto
O desrespeito com a categoria bancária e com a sociedade em geral não é exclusividade do Santander. O Bradesco também tem assumido posturas contrárias aos interesses da população. “Os principais bancos privados que atuam no Brasil têm obtido lucros exorbitantes e se negam a atender nossas reivindicações de melhores condições de trabalho, segurança bancária e aprimoramento da qualidade do atendimento, entre outras”, afirma o secretário de Administração do Sindicato, Geraldo Times.
A agência do Bradesco da Rua da Concórdia, por exemplo, está funcionando durante a greve, mas tem selecionado apenas os clientes que geram mais lucro para serem atendidos. “Esse tipo de discriminação é inaceitável. Temos dialogado com a população para mostrar que a luta dos bancários é dela também. Estamos cobrando que bancos tenham responsabilidade social, de verdade. Não apenas no mundo das propagandas”, destaca Geraldo.