Fenaban oferece 8,75% de reajuste, bancários rejeitam e negociação continua nesta quinta

A forte greve dos
bancários garantiu novos avanços na proposta de acordo feita pelos
bancos, durante mais uma rodada de negociação, realizada na tarde
desta quarta-feira (21), em São Paulo. A proposta da Fenaban, no
entanto, ainda ficou aquém das expectativas e o Comando Nacional dos
Bancários rejeitou, de imediato, a possibilidade de um acordo. As
negociações prosseguem nesta quinta-feira (22), às 13h (no horário
do Recife).

Segundo a presidenta do Sindicato, Suzineide
Rodrigues, que representa Pernambuco no Comando Nacional dos
Bancários, a nova proposta da Fenaban prevê um reajuste de 8,75%
para os salários, piso, PLR, vales e auxílios. “Este índice
ainda é muito pequeno, está abaixo da inflação do período e
representa perda de 1,03% para os bancários. Reiteramos para os
representantes da Fenaban que os bancários exigem aumento real de
salários, ou seja, o reajuste tem de ser maior que os 9,88% da
inflação do período, medida pelo INPC”, conta Suzi.

Depois
de um longo debate, a Fenaban destacou que as margens de negociação
estão estreitas, mas que vai consultar os bancos para continuar a
rodada nesta quinta, no 17º da greve. “Nossa paralisação está
muito forte em todo o país. Esta greve já entrou para a história.
Graças à mobilização dos bancários, conseguimos melhorar a
proposta inicial de 5,5% de reajuste para 7,5% na negociação desta
terça e, agora, para 8,75%. Vamos nos manter firmes na luta nesta
quinta-feira para garantir uma nova proposta dos bancos, com aumento
real de salários”, diz Suzi.

Pirangueiros! – Durante
as negociações desta quarta, o Comando Nacional dos Bancários
destacou para os representantes da Fenaban que outros setores da
economia brasileira, inclusive prejudicados pela crise internacional,
como químicos e metalúrgicos, estão pagando aos seus trabalhadores
reajuste que cobre a inflação.

“Os trabalhadores das
fábricas de automóveis e caminhões do ABC paulista, que têm data
base em 1º de setembro, como os bancários, garantiram um reajuste
que recompõe a inflação de 9,88%, mesmo com a queda na venda do
setor automotivo. O setor químico de São Paulo também propôs aos
seus funcionários a correção dos salários pela inflação. E os
bancos, que estão ampliando seus lucros e não tomaram conhecimento
da crise, não podem pagar um reajuste abaixo da inflação. Vamos
continuar a greve até que a Fenaban apresente uma proposta decente”,
diz Suzi.


os cinco maiores bancos que operam no Brasil (BB, Caixa, Itaú,
Bradesco e Santander) alcançaram, juntos, um lucro de R$ 36,3
bilhões apenas no primeiro semestre deste ano, um crescimento de
27,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Bancos
públicos –
As negociações específicas com os bancos
públicos devem ser retomadas assim que as discussões com a Fenaban
forem encerradas. As diretorias do Banco do Brasil e da Caixa
Econômica Federal informaram ao Comando Nacional dos Bancários que
podem negociar ainda nesta quinta, caso os debates com a Fenaban
avancem. Os sindicatos também cobram a retomada das negociações
com o Banco do Nordeste.

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