
Os bancários do Banco
do Brasil e da Caixa Econômica Federal de Pernambuco aprovaram na
noite desta terça-feira (27) as propostas de acordos feitas pelos
dois bancos e encerraram a greve após 22 dias de paralisação. Já
os funcionários do Banco do Nordeste rejeitaram o acordo e continuam
em greve (leia mais). Os empregados dos bancos privados já haviam
encerrado a paralisação no dia anterior (leia mais).
Segundo
a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, os funcionários do
BB e da Caixa decidiram voltar ao trabalho em Pernambuco já que a
grande maioria das assembleias realizadas em todo o país encerraram
a greve no dia anterior. “Os bancários construíram este ano uma
das maiores paralisações da nossa história em Pernambuco. E
esperavam mais avanços nas negociações com os bancos. Mas, diante
do resultado das assembleias no país, decidimos voltar ao trabalho,
já que a nossa campanha é nacional e nosso estado, sozinho, não
conseguirá mais avanços”, diz.
O Sindicato já havia
recomendado o fim da greve na assembleia realizada nessa
segunda-feira, seguindo a orientação do Comando Nacional dos
Bancários. Mas os funcionários do BB e da Caixa decidiram
permanecer parados em Pernambuco. “Infelizmente, as negociações
deste ano com os bancos foram as mais difíceis da última década.
As instituições financeiras aproveitaram o cenário de crise
econômica para tentar retirar direitos e rebaixar os salários dos
bancários. Foi a força da nossa greve que conseguiu manter o poder
de compra e todos os direitos da nossa categoria. Não foi um ótimo
acordo, mas foi, sem dúvida, uma grande vitória diante da atual
conjuntura”, explica Suzineide.
A presidenta do Sindicato
destaca que as negociações deste ano foram bastante tensas e que os
bancos públicos dificultaram o diálogo. “Muitos funcionários dos
bancos públicos acreditam que as negociações poderiam render mais
frutos se fossem separadas dos bancos privados. Mas é o contrário.
Este ano, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, havia colocado um teto
de reajuste salarial nos bancos públicos de 7,5%. Só conseguimos
chegar aos 10% para recompor a inflação porque a mesa de negociação
é unificada, o que fortalece a mobilização, já que os bancários
de bancos públicos e privados lutam juntos pela mesma pauta”,
explica.
Suzi lembra que nos anos 1990, quando as negociações
eram separadas, “ficamos praticamente a década toda amargando uma
política de reajuste zero nos bancos públicos, enquanto os privados
garantiam algum aumento, mesmo que abaixo da inflação. Os mais
novos não se lembram, mas basta analisar o resultado das campanhas
salariais daquela década para ver que a estratégia de mesa única
de negociação nos rendeu muitas vitórias”, analisa.
Questões
específicas – Com a Campanha Nacional Unificada, os bancários
de bancos públicos e privados garantiram este ano um reajuste de 10%
para os salários, para a PLR e para o piso. A inflação do período
foi de 9,88%. Já os vales refeição e alimentação tiveram um
reajuste histórico de 14%. Este valor representa 3,75% de ganho real
e eleva o vale refeição dos R$ 26 atuais para R$ 29,64 por dia. A
cesta-alimentação sobe de R$ 431,16 para R$ 491,52 por mês.
Já
as reivindicações específicas dos bancários do BB e da Caixa
foram negociadas com os dois bancos de forma paralela. “É verdade
que não conseguimos grandes avanços nos acordos específicos. Mas
conseguimos, graças à força da greve, manter todos os direitos que
os empregados do BB e da Caixa têm. E isso foi uma vitória,
garantida pela greve. O Sindicato, assim como os bancários, também
queria mais. Mas precisamos analisar a conjuntura para saber o
momento de avançar e o momento de defender aquilo que já
conquistamos”, comenta Suzi.
Ela destaca como importantes
direitos mantidos o formato de pagamento semestral da Participação
nos Lucros e Resultados (PLR) do Banco do Brasil, que corresponde à
distribuição linear de 4% do lucro líquido entre todos os
trabalhadores, além dos módulos bônus e Fenaban. Na Caixa, a greve
garantiu a manutenção da PLR adicional de 4% do lucro distribuída
igualmente entre todos os funcionários e a suspensão da terceira
onda do programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP).
“Por
tudo isso, podemos considerar a nossa greve vitoriosa. E, vale
lembrar, que todas as reivindicações específicas que não foram
atendidas nesta campanha pelo BB e pela Caixa continuarão sendo
cobradas ao longo do ano nas mesas permanentes de negociação que os
sindicatos mantêm com os dois bancos. Portanto, a luta continua!”,
finaliza Suzi.
Dias parados – O
Sindicato cobrou e o Banco do Brasil e a Caixa aceitaram não
descontar este dia de greve a mais feito pelos bancários de
Pernambuco. Todos os 22 dias de paralisação devem ser compensados
com, no máximo, uma hora de trabalho a mais por dia, entre 4 ou 5 de
novembro (quando o acordo será assinado) até 15 de dezembro. Este
acordo resultará em anistia de 63% dos dias parados para quem faz
jornada de seis horas e de 72% para quem faz de oito horas.