Mais dois assaltos a
banco no Recife, nesta terça-feira (3), elevaram para 44 o número
desses crimes em Pernambuco, apenas neste ano (no ano passado
inteiro, foram 16 ocorrências).
Por volta do meio dia, a
agência do Banco do Brasil, localizada na avenida Domingos Ferreira,
foi assaltada – essa é a segunda ocorrência do ano na unidade.
Cerca de duas horas depois, foi a vez da agência do Santander,
situada na avenida Rui Barbosa.
No BB, sete assaltantes
quebraram a vidraça da agência e entraram com os vidros ainda
caindo. Um deles se machucou. Roubaram o dinheiro dos caixas, os
pertences de clientes e bancários e as armas dos vigilantes.
“Esse
é o oitavo assalto com o mesmo modus operandi: os
criminosos quebram a vidraça com a marreta e entram na agência, sem
dificuldades”, afirma secretário de Assuntos Jurídicos do
Sindicato, João Rufino, que é também representante do Nordeste no
Coletivo Nacional de Segurança Bancária da
Contraf-CUT.
Rufino
destaca a corresponsabilidade da prefeitura do Recife em relação a
essas ocorrências. “Uma
lei municipal determina que os bancos devem instalar vidros blindados
nas agências, e eles não instalam. E
estabelece que a prefeitura
deve fiscalizar
o cumprimento dessa lei – e interditar os bancos, casos
eles a descumpram –, e ela
não o faz; ela é
corresponsável pela
insegurança bancária e, consequentemente, por
esses crimes”, explica o
diretor do Sindicato.
O atendimento médico e psicológico dos
bancários pela Cassi (Caixa
de Assistência aos Funcionários do Banco do Brasil),
que costuma ser célere, dessa vez demorou bastante. “Eles
demoraram mais de uma hora para chegar. Nesses
casos, que podem gerar
traumas nos trabalhadores, esse tempo é excessivo”, critica.
No
Santander, para entrar na agência, os três assaltantes fizeram
reféns um vigilante e um funcionário terceirizado do setor de
limpeza. Levaram o dinheiro dos caixas e arrebentaram portas
internas, procurando a tesouraria.
“Uma bancária entrou em
pânico, durante o assalto, e saiu correndo. Outro, está em estado
de choque. O vigilante e o servente, que foram feitos reféns, também
estão
muito abalados”, conta Rufino, que esteve na agência.
Os
bancários que sofreram o assalto devem ser atendidos por psicólogos,
nesta quarta-feira (4).
Eles
só poderão voltar ao trabalho após avaliação médica que ateste
que estão aptos para isso.
“O Sindicato estará aqui amanhã, para garantir que o trabalho na
agência não seja retomado de maneira irregular. Também estamos
exortando os bancários a registraram a CAT (Comunicação
de Acidente de Trabalho),
pois, se depender dos
bancos,
esse registro não é feito”, completa Rufino.