
“Trabalho em bancos:
uma rotina de medo”. Esse foi o tema da palestra ministrada pelo
secretário de Saúde do Sindicato dos Bancários de Pernambuco,
Wellington Trindade, e pelo diretor do Sindicato dos Vigilantes de
Pernambuco, Sandro José Alves, no Seminário Nacional sobre
Segurança Bancária, realizado nessa terça, dia 17, no
Recife.
Wellington destacou que as falhas da segurança
bancária representam sérios riscos à vida dos trabalhadores e
clientes de bancos. Em Pernambuco, neste ano, já ocorreram 46
assaltos a bancos, além de arrombamentos e sequestros.
“Os
trabalhadores estão vivendo em constante tensão. Além de serem
vítimas das investidas criminosas, ainda têm de lidar com as
patologias decorrentes disso”, afirma Wellington.
O diretor
do Sindicato explica que os prejuízos para os trabalhadores não
param por aí. “Os gestores das agências pressionam os bancários
para que produzam ainda mais para ressarcir o valor perdido nos
assaltos. Ou seja, os trabalhadores são penalizados sucessivas
vezes”, afirma Wellington.
Acidentes de trabalho – Em
2015, o Sindicato emitiu 80 CATs (Comunicações de Acidente de
Trabalho) de assaltos e registrou 57 afastamentos em decorrência
deles. “Os bancos têm enorme responsabilidade nessa situação,
pois se negam a atender as nossas reivindicações. Algumas delas,
inclusive, já foram estabelecidas em leis”, comenta o secretário
de Saúde do Sindicato.
A abertura e o fechamento remotos das
agências; a presença de, no mínimo, dois vigilantes por pavimento;
o fim da guarda das chaves pelos gerentes; e a instalação de vidros
blindados nas fachadas das agências são alguns desses
pleitos.
Descaso dos bancos – O diretor do Sindicato
dos Vigilantes, Sandro Alves, criticou a falta de investimento das
empresas de segurança na saúde, física e psicológica, dos
trabalhadores. “Não bastassem todos os danos causados pelos altos
índices de assaltos a banco, as empresas têm, sistematicamente,
demitido os vigilantes, após essas ocorrências”, afirma
Sandro.
A tentativa de responsabilidade dos trabalhadores,
pelos bancos e empresas de segurança, também foi tema do debate que
ocorreu na sequência da palestra. A necessidade de as duas
categorias unirem-se contra a insegurança bancária foi citada,
diversas vezes, pelos participantes do encontro.
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