
O Programa Retorne Bem
foi o tema central das negociações do Fórum de Saúde do
Santander, realizadas na última quinta-feira (26), em São Paulo.
Apesar da pressão dos representantes dos sindicatos, o banco
espanhol não respondeu a maioria das reivindicações dos bancários
entregues no dia 10 de março deste ano. O objetivo dos trabalhadores
é garantir a participação na estruturação do programa, dirigido
aos funcionários que voltam a trabalhar depois de licença médica.
Segundo Tereza Souza, diretora da Fetrafi-NE (Federação dos
Trabalhadores do Ramo Financeiro do Nordeste), o programa Retorne Bem
foi criado pelo Santander sem debate com os sindicatos e tem vários
problemas. “Um dos problemas é que o programa não avalia o estado
da pessoa que recebe alta do INSS. Em muitos casos, o banco coloca o
funcionário para trabalhar nas mesmas condições que o adoeceu”,
diz.
Os sindicatos cobraram novamente que o banco apresente o
programa por escrito, para que os trabalhadores possam conhecer,
discutir e verificar como se dará a efetiva participação da
categoria. Também foi relatado que os problemas enfrentados pelos
bancários que retornam de licença médica persistem. Uma das
principais reclamações diz respeito à falta de autonomia e
imparcialidade dos médicos contratados pelo Santander no momento dos
exames médicos de retorno ao trabalho, periódico ou
demissional.
Ainda que foram destacados outros problemas
enfrentados por quem ficou afastado. Inclusive para os que estão no
Retorne Bem, como a falta de apoio dos gestores, impossibilidade de
transferência ou mudança de função quando necessário, cobrança
de metas, avaliação de desempenho sem levar em conta o afastamento
e seu estado de saúde, isolamento, ficar sem função e/ou acesso ao
sistema do banco, além do medo de demissão.
OIT –
Os dirigentes sindicais lembraram ainda aos representantes do banco
espanhol que o Brasil é signatário da Convenção 161 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT). A norma determina que
os serviços médicos do trabalho devem ser construídos com a
participação e cooperação dos trabalhadores e seus representantes
e que os médicos que atuam na empresa devem ter autonomia e
imparcialidade.
Os representantes do Santander alegaram que
questões relacionadas à Convenção 161 devem ser discutidas na
mesa da Fenaban. Mas a representação sindical insistiu que quer
discutir uma forma de os trabalhadores avaliarem os serviços médicos
prestados pelos profissionais do banco.
Nova reunião
– Os sindicatos e o Santander se reunirão novamente no
primeiro trimestre de 2016 para retomar as negociações acerca de
todos esses temas. O Fórum de Saúde do Santander é uma reunião
periódica, prevista no acordo aditivo do banco à Convenção
Coletiva, que reúne dirigentes sindicais, cipeiros eleitos (um por
Cipa) e a empresa para discutir questões de saúde.