
A Campanha Nacional dos
Bancários deste ano garantiu a assinatura de um termo de
entendimento entre a Fenaban e o movimento sindical para tratar das
condições de trabalho nos bancos, com o objetivo de reduzir as
causas de adoecimento e afastamentos. Trata-se da cláusula 57ª da
Convenção Coletiva de Trabalho, que dispõe sobre o desenvolvimento
de programas para a melhoria contínua das relações de trabalho nos
bancos, e representa uma dura e importante conquista da categoria
bancária neste ano, depois de 21 dias de greve.
A nova
cláusula é um dos temas da mesa de saúde do trabalhador que será
retomada com a Fenaban. A reunião bipartite está agendada para o
dia 9 de dezembro, às 15h, na sede da entidade patronal, em São
Paulo.
Segundo o secretário de Saúde do Sindicato,
Wellington Trindade, as reivindicações sobre saúde e condições
de trabalho estiveram no centro dos debates da Campanha Nacional
deste ano. “Cobramos muito da Fenaban o fim das metas abusivas e do
assédio moral, que tanto têm adoecido os bancários. Pela primeira
vez, os bancos reconheceram que há abusos na cobrança de metas e
aceitaram negociar, compromisso que foi assumido formalmente por meio
desta nova cláusula na Convenção Coletiva”, conta Wellington.
O
secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT, Walcir
Previtale, reforça que as metas abusivas, associadas às práticas
de assédio moral, estão levando os bancários ao adoecimento.
“ A avaliação
individual de desempenho, as cobranças por resultado, o excesso de
tarefas, a competição entre os trabalhadores por vendas, longas
jornadas de trabalho, tudo isso acaba por gerar um ambiente de
trabalho ruim, adoecedor e ameaçador aos direitos elementares da
pessoa humana. Esses argumentos, lastreados na dura realidade da
categoria bancária, foram o estopim para se pensar em alguma
política que combata essas práticas e que ajude na busca de um
local de trabalho saudável no sistema financeiro”, explica
Walcir.
A cláusula 57ª determina que a Fenaban institua, em
cada banco, uma comissão paritária, constituída por representantes
dos bancários e dos bancos, para acompanhamento e implementação de
políticas que intervenham nos ambientes de trabalho, com objetivos
de melhorar as relações e condições de trabalho.
“A
representação dos trabalhadores precisa estar atenta e ser atuante
neste processo. Sabemos que a exigência de produtividade, que não
respeita períodos de ausência no trabalho, tem gerado um grande
estresse na categoria e é uma exigência absolutamente abusiva
porque não respeita o direto ao repouso que o trabalhador necessita.
Da mesma maneira, a avaliação de desempenho, que não considera o
trabalho real, mas somente o resultado”, afirma o secretário da
Contraf-CUT.