“O SUS é um patrimônio do povo brasileiro e deve ser defendido como tal. É fundamental que seja preservado seu caráter 100% público, para assim continuar oferecendo atendimento universal e gratuito para todos. A iniciativa privada pode fazer ótimos celulares e carros, mas na gestão da saúde, do que é público, só o Estado, com o devido controle social, pode ser eficiente e se importar de fato com as pessoas”, defende o secretário de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato dos Bancários de SP, Dionísio Reis.
“Hoje os planos de saúde só servem para intervenções médicas de baixa complexidade e tratam de abandonar os trabalhadores na hora em que mais precisam, quando envelhecem. O direito à vida é assegurado na Constituição e o Estado deve prover saúde sem discriminação”, acrescenta o dirigente.
Aids – Um exemplo da importância do SUS como serviço 100% público são as políticas de prevenção e tratamento da Aids. Com campanhas preventivas e a garantia de acesso universal ao diagnóstico e medicamentos retrovirais, o país conseguiu estabilizar a taxa de detecção da doença nos últimos 10 anos. A cada 100 mil habitantes, apenas 20 são identificados com o vírus. Outro ponto positivo é a redução em 15,6% da mortalidade entre 2003 e 2014. Primeiro de dezembro é também Dia Mundial de Luta contra a Aids.
Em julho deste ano, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) reconheceu o Brasil como referência mundial nas ações de controle da doença. O relatório da organização faz diversas menções positivas ao país, destacando o fato de o país ter sido o primeiro a garantir acesso universal ao tratamento.
Trabalhador – O movimento sindical levará à 15ª Conferência Nacional de Saúde demandas específicas relacionadas à saúde do trabalhador. Temas como Política Nacional de Saúde e Segurança no Trabalho – PNSST; mudanças no Fator Acidentário de Prevenção (FAP); retomada do debate, proposto pelo Ministério do Trabalho, sobre a utilização segura do uso do amianto no Brasil; e o ataque à Norma Regulamentadora 12 (NR-12) pelo setor patronal colocaram a classe trabalhadora em estado de alerta em relação aos rumos das políticas públicas que buscam melhorias das condições de trabalho e à preservação da saúde dos trabalhadores.
“Da mesma forma como o SUS, as políticas públicas para a saúde dos trabalhadores estão sofrendo ataques por parte da classe patronal, que entende a saúde pública como um grande filão de negócios”, enfatiza Dionísio.