A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) argentina lidera nesta quarta-feira (24) uma mobilização nacional contra as demissões em massa no funcionalismo público promovidas pelo governo de Mauricio Macri.
Além da ATE, outros grupos sindicais e organizações kirchneristas e de esquerda participam das manifestações realizadas em diversas cidades do país, que também apresentam o repúdio dos movimentos sociais ao novo protocolo de segurança aprovado na última semana que pretende restringir os protestos em vias públicas na Argentina.
“Estamos participando desta jornada de luta em apoio às demandas dos trabalhadores estatais, que vêm sofrendo dezenas de milhares de demissões em todo o país, que serão multiplicadas com a nova onda de demissões anunciada pelo Ministério da Modernização”, declarou Nicolás del Caño, que foi candidato à Presidência nas últimas eleições pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT).
Caño se referia ao anúncio de Andrés Ibarra, titular da pasta, que afirmou na terça-feira (23) que o governo está analisando outros 25 mil contratos de trabalho no setor público iniciados nos últimos três anos e que novas demissões devem acontecer.
Em reiteradas declarações, funcionários do governo Macri enfatizam que os demitidos eram “nhoques”, termo utilizado na Argentina para definir funcionários fantasma.
O usuário @Despidometro no Twitter contabiliza os demitidos do Estado desde o dia 10 de dezembro, data da posse de Mauricio Macri como presidente da Argentina. Segundo o perfil, até esta quarta-feira (24) mais de 26 mil pessoas perderam seus empregos no setor público no país.
Além da demanda trabalhista, Hugo Godoy, presidente da ATE, ressaltou o repúdio ao protocolo de segurança para manifestações, que ele classificou como “inconstitucional”. Segundo o jornal argentino La Nación, apesar do novo protocolo já estar em vigor, a polícia não atuou para conter os protestos realizados em diversos pontos de Buenos Aires nesta quarta-feira.