
Milhares
de mulheres trabalhadoras sairão às ruas nesta terça (8) para
reivindicar a garantia e avanços nos direitos conquistados nos
últimos anos. Em Pernambuco, o Sindicato se une a mais de 15
organizações que estão construindo o Ato Unificado “É pela vida
das mulheres”. A concentração será no Parque 13 de Maio, onde
acontecerão rodas de diálogo sobre diversos temas. No final da
tarde, os participantes saem em marcha pelas ruas do Recife.
O
tema, escolhido conjuntamente pelo movimento sindical e movimentos
sociais, traz à tona a discussão sobre os vários problemas vividos
pelas mulheres. “Estão em pauta a luta contra a violência
sexista, por igualdade de oportunidades, pelo trabalho doméstico
compartilhado, contra os estereótipos de gênero, por mais respeito
e dignidade e a defesa da democracia e dos avanços já
conquistados”, explica a secretária da Mulher do Sindicato,
Eleonora Costa.
Durante
a manhã, o Sindicato visita as agências bancárias para homenagear
as trabalhadoras e conversar sobre os principais temas e
reivindicações das mulheres.
As
trabalhadoras, em todo o Brasil, defendem ainda a legalização e
descriminalização do aborto, a ratificação das Convenções 189 e
156, o fim da violência contra mulher nos locais de trabalho, uma
educação igualitária e não discriminatória e um desenvolvimento
sustentável que tenha como centro a vida humana.
“A
gente tem visto, com este Congresso atual, medidas que representam
retrocesso em relação aos avanços já conquistados. É o caso da
exclusão do termo gênero dos Planos de Educação; do projeto que
cria entraves ao aborto legal e até à pílula do dia seguinte; do
Estatuto da Família. É preciso ir às ruas para defender a
democracia e evitar o retrocesso”, afirma a presidenta do
Sindicato, Suzineide Rodrigues.
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Previdência
e desigualdade
– Uma
das principais bandeiras das mulheres trabalhadoras neste ano é a
possível reforma da previdência, anunciada pela mídia, em que um
dos pontos é a equiparação da idade mínima de aposentadoria entre
homens e mulheres.
“Nós
não podemos deixar isso acontecer, nós até podemos viver mais como
muitos dizem, mas nós temos duas, três e até quatro jornadas de
trabalho. Nesta sociedade machista, racista e patriarcal são as
mulheres, na maioria das vezes, que são responsáveis pelas famílias
e pelos filhos,” destacou a
secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, Junéia Batista.
A
mais recente pesquisa do IBGE comprova que a mulher, apesar de ser
maioria na população e maioria no mundo do trabalho, continua
ganhando menos e trabalhando mais. Segundo Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílio (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) feita entre os anos de 2004 e 2014 com 150 mil
famílias, a dupla jornada feminina aumentou uma hora. Agora elas
trabalham cinco horas a mais do que eles.
A
estatística também mostra que, enquanto a jornada de trabalho
masculina fora de casa caiu de 44 horas para 41 horas e 36 minutos
por semana, a carga horária dedicada ao trabalho doméstico se
manteve estável. Ou seja, o tempo livre não foi revertido em maior
dedicação ao lar. Nesse mesmo período de 10 anos, a mulher manteve
uma média de jornada de trabalho fora de casa de 35 horas e meia,
mas ainda continua ganhando 24% a menos que os homens – e
acumulando tarefas domésticas.
Filme
–
Na
quinta-feira (10), o Sindicato promove a exibição do filme “O
amor e a Fúria”. Dirigido por Lee Tamahori, o filme consegue
mostrar de uma forma bem realista os dramas de uma família cercada
por problemas sociais, especialmente a pobreza, o machismo e a
violência. O autoritarismo patriarcal, o ciclo recorrente de
violência doméstica, o abuso sexual… tudo isso é tratado de
forma bastante realista. Depois da exibição, haverá debate sobre o
conteúdo do filme.
Sobre
o 8 de março –
A
data de 8 de março está ligada diretamente à luta das mulheres por
melhores condições de trabalho, por uma vida mais digna e uma
sociedade mais justa e solidária.
Mesmo
antes da revolução industrial, mulheres lutavam por melhores
condições de trabalho, já que tinham jornadas extremantes puxadas
e tinham salários muito inferiores aos dos homens.
A
proposta de criar uma data internacional para celebrar as lutas e
conquistas das mulheres foi apresentada em 1910, na 2ª Conferência
Internacional das Mulheres Socialistas. A definição pelo 8 de março
ocorreu em 1921, na Conferência Internacional de Mulheres
Comunistas.
Em
1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro
acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre
homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo,
em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em
1977 o “8 de março” foi reconhecido oficialmente pelas
Nações Unidas como “Dia Internacional das Mulheres”.
A
CUT, desde sua fundação se preocupa com a organização das
mulheres, neste ano fará 30 anos de política de gênero na maior
central da América Latina, desde a criação da primeira Comissão
Nacional da Mulher Trabalhadora. Apesar de algumas conquistas, ainda
há muitos desafios. Os direitos das mulheres precisam ter avanços e
serem consolidados.