
Com
o tema “É Pela Vida das Mulheres”, mulheres integrantes de mais
de trinta organizações dos movimentos social, sindical e estudantil
foram às ruas nesta terça, 8 de março, Dia Internacional da
Mulher. Na concentração, no Parque 13 de Maio, mais de dez rodas de
diálogos abordaram temas como saúde, violência, creche, conjuntura
política, trabalho entre outros. De lá, as mulheres seguiram em
marcha pelas ruas do Recife. O destaque foi a participação da juventude, com sua alegria, disposição e ousadia: “É muito bonito ver a nossa esquerda se renovando”, afirmou a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues.
Para
a secretária de Assuntos da Mulher do Sindicato, Eleonora Costa, a
defesa da democracia e a luta contra qualquer retrocesso também foi
uma das bandeiras da marcha. “O que não falta, neste Congresso,
são projetos que atacam direitos já conquistados pelas mulheres.
Queremos avançar, retroiceder jamais!”, salienta Eleonora.
Em
foco, também, a luta contra a violência sexista, por igualdade de
oportunidades, pelo trabalho doméstico compartilhado, contra os
estereótipos de gênero, por autonomia, contra a Reforma da
Previdência, entre outros temas.
As
mulheres pernambucanas denunciaram, o abandono, por parte da
Prefeitura e Governo do Estado, das ações de prevenção e promoção
à saúde da mulher. Para elas, o número elevado de
recém-nascidos com microcefalia é resultado disso. Também aumentou
o número de grávidas com sífilis e de contaminação pelo HIV.
Segundo
os movimentos, nos últimos 10 anos em Pernambuco, maternidades foram
fechadas; unidades de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadoras
estão sem infraestrutura; aumentou a dificuldade de marcação
de consulta nos Centros e Atenção Psicossocial (CAPS) e o
número de comunidades sem Unidade Básica de Saúde. Também
faltam atendimento adequado às mulheres vítimas de violência
doméstica e sexual, além de medicamentos e contraceptivos
nas unidades de saúde.
Violência
–
Outra
questão que foi à tona nas manifestações desta terça foio
aumento dos casos de violência no estado. Os dados do Sistema de
Informações Hospitalares (SIH/SUS) demonstram que, no período de
janeiro de 2003 a setembro de 2015, houve 1.177 internações de
mulheres por agressão em Pernambuco. Desses, 80% residem na
Região Metropolitana do Recife e no Sertão.
Dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em
parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais
(Flacso), revelam que o número de homicídios contra mulheres negras
em Pernambuco cresceu 19,8% entre os anos de 2003 e 2013. As
informações fazem parte do “Mapa da Violência 2015: Homicídio
de Mulheres”.
Em
2003, foram 187 mulheres negras assassinadas, contra 224 mulheres
negras mortas em 2015. No caso dos homicídios de mulheres
brancas, Pernambuco registrou
queda de 50,9%. Em 2003, foram assassinadas 53 mulheres brancas,
enquanto foram mortas 26 em 2013.
Responsabilidades
compartilhadas
– Outra
reivindicação levada às ruas foi a ratificação da Convenção
156, da OIT (Organização Internacional do Trabalho) – que
estabelece diretrizes que facilitam o compartilhamento das
responsabilidades domésticas, sem prejuízos ao emprego. Segundo
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feita entre os anos de
2004 e 2014 com 150 mil famílias, a dupla jornada feminina aumentou
uma hora. Agora elas trabalham cinco horas a mais do que eles.
A
estatística também mostra que, enquanto a jornada de trabalho
masculina fora de casa caiu de 44 horas para 41 horas e 36 minutos
por semana, a carga horária dedicada ao trabalho doméstico se
manteve estável. Ou seja, o tempo livre não foi revertido em maior
dedicação ao lar. Nesse mesmo período de 10 anos, a mulher manteve
uma média de jornada de trabalho fora de casa de 35 horas e meia,
mas ainda continua ganhando 24% a menos que os homens – e
acumulando tarefas domésticas.
Homenagem
nas agências – Pela manhã, o Sindicato visitou as agências
do centro do Recife, de Casa Amarela e de Olinda, para homenageá-las
com brindes e música. O violino encantou as bancárias e muitas
delas se emocionaram. Algumas, como as trabalhadoras da Losango, eram
homenageadas como mulheres bancárias pela primeira vez, graças à
conquista do enquadramento à categoria bancária dos financiários
da empresa. “Há 29 anos eu não via isso. Estou muito feliz”,
falou a funcionária Eva Vasconcelos.
Empregada
da Caixa Guararapes, Deise Santos lembrou que o 8 nde março é um
dia “para lembrar que as mulheres são guerreiras, que elas devem
ter os mesmos direitos que todos, e que o dia da mulher não é um
dia só, são todos os dias e que a mulher merece ser tratada com
respeito e igualdade”.
A
presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, reforçou o sentido do
8 de março, como dia de luta e organização das mulheres. “Para
termos os direitos que a gente tem hoje, muita gente lutou, muita
gente morreu por isso. Então é importante que a gente lembre destas
pessoas neste 8 de março e que o exemplo delas sirva como
combustível para nossa luta”, afirmou.
>> Confira a Rádio dos Bancários
Filme –
A programação continua nesta quinta-feira (10), quando o Sindicato
promove a exibição do filme “O amor e a Fúria”. Dirigido por
Lee Tamahori, o filme consegue mostrar de uma forma bem realista os
dramas de uma família cercada por problemas sociais, especialmente a
pobreza, o machismo e a violência. O autoritarismo patriarcal, o
ciclo recorrente de violência doméstica, o abuso sexual… tudo
isso é tratado de forma bastante realista. Depois da exibição,
haverá debate sobre o conteúdo do filme.