A indicação de Gilberto Occhi para a presidência da Caixa Econômica Federal e suas recentes declarações de ataque ao banco com meta de fechamento de agências, mereceu crítica do Sindicato dos Bancários de Pernambuco. Tanto a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, quanto a secretária de Comunicação, Daniella Almeida, comentaram as especulações e as ameaças do governo interino ao maior banco público brasileiro.
“Mesmo que ainda no campo das especulações, o que já sabemos deste governo interino nos faz temer pelo pior. Os golpistas do Governo Temer sabem que a Caixa cumpre um papel social de apresentar os serviços bancários às pessoas mais pobres, portanto, está em acordo com as obrigações e preceitos de um banco público. Por isso mesmo, contra qualquer ação predatória que venham impor, haverá muita luta, pois não vamos deixar vender a Caixa”, declarou Suzineide Rodrigues.
Em matéria publicada na Agência Estado hoje (27), as especulações são de que o banco abrirá caminhos para sua futura privatização, com a abertura de capital e oferta de ações na Bolsa de Valores. Para fazê-lo, a Caixa teria que também privatizar as Loterias, os cartões de crédito e os seguros.
A secretária de Comunicação do Sindicato, Daniella Almeida é funcionária da Caixa e externou “a mais profunda indignação” com as ameaças, “na contramão da importância da Caixa como fomentadora dos programas sociais que melhoraram a vida de milhões de brasileiros”, disse. Ela explica que o foco comercial do banco nos últimos anos já era preocupante, ainda mais com o aumento da competitividade com outras instituições financeiras. “A ampliação no número de agências não foi acompanhado pelo aumento do número de empregados”, explicou.
“Essa é uma ameaça terrível para os 97 mil empregados e para a população, principalmente para os assistidos pelos programas sociais”, lembra. “Diante disso, os Bancários se colocam firmes em defesa dos empregados, da Caixa 100% pública e do fortalecimento do seu papel social”, completou.
Apesar das mais de 1.300 novas agências nos últimos seis anos, a Caixa hoje tem três mil empregados a menos. “As agências sao abertas com menos de 10 empregados e as metas são abusivas. É preciso também destacar que o lucro tem crescido a cada ano, apesar da crise”, exemplificou Daniella.
A dirigente lembra que a Caixa tem “perfil social” em sua essência. “Estamos, portanto, diante de um ataque severo, com o objetivo de desqualificar a Caixa, acusando-a de ineficiente com vistas à abertura de capital e privatização. Isso já foi tentado na década de 1990 por FHC (Fernando Henrique Cardoso) e foi um momento terrível que agora volta a nos assombrar”, concluiu.