O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vem a público prestar solidariedade ao Sindicato dos Bancários de Pernambuco e, especialmente, à sua presidenta Suzineide Rodrigues de Medeiros, em razão dos ataques conduzidos pela seccional pernambucana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) ao referido sindicato, à presidenta e aos Direitos Humanos.
Como se sabe, bancários de todo o país atravessam um período de greve. Há mais de vinte dias, trabalhadores paralisaram suas atividades com a intenção de, entre outras pautas, pressionar os bancos a promover um reajuste salarial que compense as perdas provocadas, no último ano, com a inflação. Os bancos, entretanto, tem recusado a proposta de reajuste. Sob a alegação de existência de uma crise econômica, negam direitos dos trabalhadores. Ocorre que, diferentemente de setores econômicos como o da construção civil, o setor bancário vem mantendo altos níveis de lucro. Os bancos não se encontram numa “crise de quebra”. Pelo contrário, juntos, Banco do Brasil, Bradesco, Unibanco e Santander lucraram 13,46 bilhões de reais apenas no segundo trimestre de 2016, um valor ainda superior ao do primeiro trimestre, 12,8 bilhões. Sendo assim, os bancos pretendem aumentar lucros às custas dos trabalhadores, reduzindo seus salários reais.
A greve dos bancários, portanto, é legítima. Consiste no exercício de um direito coletivo sem o qual muitos dos direitos trabalhistas que hoje temos simplesmente não existiram. Foram greves o que possibilitou a insurgência histórica desses direitos. Não fossem as greves de trabalhadoras e trabalhadores, não haveria direitos trabalhistas ou mesmo direitos sociais, civis e políticos. “Paralisar” é, na maior parte da vezes, a única arma que resta à classe trabalhadora numa disputa que é, de pronto, desigual. Assim como o MST ocupa terras improdutivas para garantir o acesso à terra e a reforma agrária, trabalhadores entram em greve na luta por direitos. A greve e a luta por direitos, inclusive, são parte fundamental da experiência democrática. Não há chance de democracia sem luta social.
Acontece, contudo, que a Ordem dos Advogados do Brasil, instituição cuja função declarada é a da defesa dos Direitos Humanos, vem perpetrando ataques contundentes à democracia. A OAB não apenas apoiou o golpe de Estado atravessado pelo Brasil como, agora, mobiliza ações judiciais contra o direito de greve. Em Pernambuco, a OAB ajuizou ação para impedir a atual greve dos bancários. Além disso, requisitou a prisão de Suzineide Rodrigues de Medeiros, presidenta do sindicato. A OAB, assim, opõe-se a direitos e criminaliza trabalhadores, numa postura explicitamente contrária à democracia, de deslegitimação da luta e dos lutadores.
Por esses motivos, o MST vem demonstrar solidariedade ao Sindicato dos Bancários de Pernambuco e a Suzineide Rodrigues de Medeiros. O MST acredita que a defesa do direito de greve corresponde à defesa da democracia. Isto principalmente no contexto atual, em que a soberania popular tem sido constantemente desrespeitada.
Recife, 29 de setembro de 2016.
DIREÇÂO ESTADUAL DO MST PERNAMBUCO