O
Sindicato dos Bancários de Pernambuco paralisou, na manhã desta
terça-feira (8), as atividades da agência Avenida Conde da Boa
Vista do Bradesco, para protestar contra a postura do banco em
relação à incorporação do HSBC. Diretores do Sindicato
reuniram-se com bancários lotados na agência para conversar sobre a
importância da mobilização unificada.
Ex-funcionários
do banco inglês estão ameaçados de perder direitos e sofrem com a
falta de estrutura neste período de adaptação. Já os clientes
enfrentam longas filas e problemas no sistema interno do banco.
Cerca
de 5 milhões de correntistas do antigo HSBC tornaram-se clientes do
Bradesco. Sem as devidas condições estruturais, as unidades estão
superlotadas e os canais de suporte não estão atendendo às
demandas dos clientes.
O
Bradesco pressionou os novos funcionários a assinarem um documento
abrindo mão de direitos conquistados. Entre eles estão o
auxílio-educação, duas opções de operadoras de plano de saúde e
duas de planos odontológicos, folga no dia do aniversário em
substituição ao abono assiduidade previsto na Convenção Coletiva
de Trabalho e o abano assiduidade quinquenal. Além disso, os
ex-funcionários do HSBC tinham um plano de saúde de gestão
compartilhada e, agora, têm direito apenas a um seguro de saúde.
O
diretor do Sindicato, Alan Patrício, explica que a Comissão de
Empregados do HSBC já estava em processo de fechamento do acordo
aditivo dos funcionários do banco e, com a fusão, esses direitos
não foram garantidos.
“Este
é o momento de fortalecermos a unidade dos trabalhadores a fim de
garantir a manutenção e a expansão dos direitos para todo o
funcionalismo do Bradesco”, destaca Patrício, que é
ex-funcionário do HSBC e, agora, integra os quadros do Bradesco.
Vinte mil funcionários do HSBC foram incorporados ao Bradesco,
totalizando 110 mil bancários.
Os
trabalhadores oriundos do HSBC não receberam treinamento adequado e
estão sendo submetidos a jornadas diárias de trabalho extenuantes e
à pressão dos gestores, para compensar as falhas do banco no
período de transição.
De
acordo com o diretor do Sindicato Ronaldo Cordeiro, que é
funcionário do Bradesco, a falta de treinamento adequado está
gerando constrangimento para os bancários que estão exercendo
funções para as quais não foram capacitados.
“O
sistema do Bradesco é diferente do sistema do HSBC. Isso gera uma
situação delicada e sobrecarga de trabalho tanto para os novos
funcionários, que não sabem como proceder em diversas situações,
como para os antigos, que estão tendo que orientar os colegas,
durante o expediente”, denuncia Cordeiro.
COE
Bradesco– No próximo dia 10, haverá reunião da Comissão de
Empregados (COE) com o Bradesco, em São Paulo. O Sindicato estará
presente. “Estamos atentos para garantir os
direitos de todos os funcionários do Bradesco. Houve um aumento
significativo do quantitativo do funcionalismo. Com mobilização,
podemos ter ainda mais força nas negociações”, reforça
Cordeiro.
Na
antecipação da Participação dos Lucros e Resultados (PLR) de
2016, o Bradesco pagou um valor inferior aos funcionários do HSBC,
sob alegação de que era proporcional ao período da incorporação.
Os trabalhadores não aceitam essa postura.
“O
pagamento da PLR de 2016 deve ser feito até março de 2017,
reivindicamos que o Bradesco pague o mesmo valor para todos os seus
funcionários. Não aceitamos essa discriminação”, destaca
Patrício.
Denúncia
–Em caso de violação de direitos nas agências do Bradesco,
bancários e clientes devem entrar em contato com Sindicato, por meio
do telefone (81 3316.2433), para relatar a situação.
“O
Sindicato tomará as medidas necessárias para que a situação seja
regularizada e o direito seja garantido”, afirma o diretor do
Sindicato, Josenildo Santos (Fio), que é funcionário do Bradesco.