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A direção da Caixa
Econômica Federal encaminhou nesta semana uma correspondência
confidencial aos gestores (CE Depes/Surbe 024/2017), na qual anuncia
oficialmente o propósito de, por meio do Programa de Desligamento
Voluntário Extraordinário (PDVE), reduzir o quadro de pessoal e
extinguir funções gratificadas. O recado é claro: não haverá
reposição das vagas deixadas pelos empregados que aderirem ao PDVE
e deixarem o banco.
A meta da direção
da Caixa era de desligar 10 mil trabalhadores. Segundo a Comissão
Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), foram 4.645 adesões ao plano
de demissão. Não se trata, no entanto, do total de trabalhadores
que sairão da Caixa até 31 de março, data-limite para
desligamento, já que poderão ocorrer desistências pelos próprios
empregados e recusa pelo banco.
“O desenho que
está sendo pensado para a Caixa é semelhante ao modelo proposto
para os bancos que foram enfraquecidos e privatizados nos anos 90,
durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. As demissões
desenfreadas, tidas como voluntárias, serão aceleradas. O sonho de
uma Caixa sintonizada com os desafios do Brasil ficará cada vez mais
distante. O banco é um dos poucos instrumentos de política social,
mas esse perfil será riscado do mapa caso esse processo obtenha
êxito”, denuncia Jair Pedro Ferreira, presidente da Fenae.
Fabiana Matheus,
diretora de Administração e Finanças da Federação, afirma que a
todos perdem, pois a redução dos postos de trabalho agrava as já
precárias condições de trabalho e compromete a qualidade no
atendimento à população. “A Caixa já não contrata ninguém há
dois anos, embora tenha realizado Planos de Apoio à Aposentadoria e,
agora, um PDVE com a intenção de desligar 10 mil trabalhadores. É
fundamental que as contratações sejam retomadas. Há mais de 30 mil
aprovados em concurso aguardando convocação”, acrescenta.