As bancárias se uniram a outras dez mil companheiras, nesta quarta-feira (8), durante a Marcha das Mulheres de Pernambuco. A mobilização marcou o Dia Internacional da Mulher levando para as ruas as seguintes bandeiras: denúncia contra o racismo, fim de todas as formas de violência contra as mulheres, afirmação da dignidade das mulheres encarceradas e oposição à reforma da Previdência.
As mulheres se concentraram por volta das 14h30, no Parque 13 de Maio, onde realizaram oficinas e debates. No fim da tarde, seguiram em caminha pela Avenida Conde da Boa Vista, até a Praça da Democracia, no Derby.
Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Suzineide Rodrigues, a mobilização feminina é fundamental neste momento em que as trabalhadoras do Brasil sofrem ataques severos. “As mulheres mostraram que estarão na rua contra esse governo golpista, contra o capital financeiro, contra os bancos, contra essa sociedade machista e homofóbica. Para dizer não a isso tudo e mostrar que nós temos muita garra para lutar. Não vai passar esse golpe, não vai passar esse projeto de reforma da Previdência, porque as mulheres vão estar nas ruas lutando”, afirmou durante a marcha.
Aos brados de “Fora Temer”, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 287), defendida pelo governo ilegítimo de Michel Temer, foi rechaçada na marcha. A PEC 287 prevê idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, além de 49 anos de contribuição para a aposentadoria integral. Se aprovada, penalizará todos os trabalhadores, mas as mulheres serão atingidas de forma mais grave.
Segundo a secretária de Assuntos da Mulher do Sindicato, Eleonora Costa, hoje é um dia de luta e também de reflexão. “No Brasil, ocorrerem, em média, 13 feminicídios por dia. Não podemos aceitar nenhuma forma de violência contra a mulher’, disse.
Além de participar da Marcha das Mulheres, o Sindicato visitou 19 agências de bancos públicos e privados, localizadas na Região Metropolitana do Recife, para homenagear as bancárias e dialogar sobre os impactos da reforma da Previdência.
Na avaliação da diretora da Fetrafi/NE, Tereza Souza, a proposta em questão não pode ser aceita pelas mulheres. “O governo ilegítimo do Michel Temer quer igualar a idade mínima entre homens e mulheres, não levando em consideração a tripla jornada de trabalho, a discriminação contra elas no mercado e a desigualdade salarial. Vamos dizer não a reforma da Previdência”, afirmou.
Amanhã, às 17h, o Sindicato exibe o filme “Que horas ela volta?”, que trata sobre a luta de classes e o empoderamento feminino.