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As saídas políticas para o
enfrentamento ao golpe foram o centro das discussões na tarde deste segundo dia
da 14ª Plenária Estadual – Congresso Estadual Extraordinário da Central
Única dos Trabalhadores de Pernambuco (CUT-PE).
A mobilização, a formação política e o trabalho de base foram os caminhos apontados pelas palestrantes para enfrentamento ao golpe estrutural, assim como pelas forças políticas que compõem a CUT-PE, que no início dos trabalhos da tarde de hoje defenderam suas teses.
O debate foi subsidiado por uma mesa formada
só por mulheres que tratou sobre os impactos negativos das reformas engendradas
pelo governo golpista de Michel Temer. O painel contou com a participação da presidenta CUT-MG e
Coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais
(Sind-UTE/MG), Beatriz Cerqueira, e a secretária de relações do trabalho da CUT
Nacional, Graça Costa.
Apresentando uma visão global, Graça
Costa abriu a mesa pontuando que o ajuste fiscal e as reformas trabalhistas e
da Previdência não são uma realidade exclusiva do Brasil. Ela destacou ainda
que, além das reformas e da terceirização, mais de mil projetos estão
tramitando no Congresso Nacional contra à classe trabalhadora.
“Estamos acompanhando de perto com
base no relatório do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
(Diape). Neste momento, vamos enfrentar uma avalanche que chega com muita
força. Então, a gente precisa ter uma consciência crítica para organizar o
enfrentamento. Vejo que o capitalismo chega com uma roupagem muito agressiva no
Brasil”.
De acordo com a dirigente nacional, a
reforma trabalhista aprovada recentemente modificou mais de 300 itens da
Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Além do “acordado sobre o legislado”,
prejudicam os trabalhadores os pontos que autorizam o trabalho intermitente, o
temporário, a redução do período de descanso, entre outros.
Logo após a CLT ter sido enterrada
pelo governo golpista de Michel Temer, com apoio de um Congresso
mercenário, as articulações para acelerar a aprovação do desmonte da seguridade social. “A reforma da Previdência é um ataque frontal a tudo o que
nós conquistamos e desmantela toda a nossa expectativa de um futuro melhor”, afirmou.
Para Beatriz Cerqueira, o projeto
ultraliberal em curso no país apresenta desafios para a organização dos
trabalhadores, que precisa se renovar. “Nenhuma categoria conseguirá campanhas
salariais exitosas no próximo período.Temo até que algumas categorias
desapareçam com a terceirização. O momento, agora, é de acumular forças para
interferir no plano da elite brasileira”, afirma.
Ao tratar sobre o projeto ultraliberal em curso, a painelista destacou a temática
da privatização das empresas públicas. “Nesse novo Estado brasileiro não cabem
os bancos públicos. Não tem espaço para o Banco do Brasil, responsável por 60%
do financiamento da agricultura familiar ou para a Caixa que é a principal
financiadora da casa própria, especialmente para a população de baixa renda”,
ressaltou.
O diretor do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Expedito Solaney, fez um balanço do dia.. “Os debates foram muito ricos e nos dão condições de sair
desta Plenária com um forte plano de lutas. É tarefa da CUT Pernambuco constituir-se como protagonista nesse processo de enfrentamento em níveis nacional e
estadual”, avalia.