Criação de Frente em Defesa dos Bancos Públicos é requerida na Alepe

A requisição para a instalação da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos será apresentada, em caráter de urgência, ao pleno da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Este compromisso foi firmado pelos deputados estaduais que participaram, nesta segunda-feira (18), da audiência pública proposta pelo Sindicato dos Bancários de Pernambuco para debater o assunto. 
A Frente deverá levantar e analisar os dados referentes ao desempenho dos bancos públicos e investimentos realizados por essas empresas, visitar em loco as agências do Estado e ouvir os empregados, os representantes patronais e a sociedade de um modo geral.
A agenda foi realizada no auditório Sérgio Guerra, sob condução da Comissão de Administração Pública da Alepe. Compuseram a mesa o presidente do referido colegiado, deputado Lucas Ramos (PSB); a solicitante da pauta, deputada Teresa Leitão (PT); os deputados Odacy Amorim (PT) e Rogério Leão (PR); a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues; a secretária-Geral da entidade, Sandra Trajano; o diretor da Fetrafi/NE, Aluízio Lira; o presidente da CUT-PE, Carlos Veras; e o diretor da CUT Nacional, Expedito Solaney.
A necessidade de fortalecer os bancos públicos para garantir o desenvolvimento econômico e social dos municípios pernambucanos e de todo o Brasil foi consenso entre os representantes. A deputada Teresa Leitão criticou as ameaças de privatizações que estão sendo implementadas pelo governo ilegítimo de Michel Temer. “Vários setores já foram atingidos e o governo usa dois artifícios para atingir os bancos públicos: primeiro, uma meia verdade de que esses bancos estão dando prejuízos, e segundo, sob o manto de uma pretensa reestruturação prepara a privatização. A gente precisa deixar claro para a sociedade que o banco público não é simplesmente um componente do sistema financeiro. Ele tem uma função social que precisa ser resguardada para assegurar o desenvolvimento social do povo brasileiro e para o equilíbrio  da economia do país”, afirmou.
Na ocasião, a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, apresentou dados extraídos do balanço da Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil que comprovam o lucro dos bancos públicos no primeiro semestre. Ela destaca que conforme levantamento do próprio governo federal, o Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 5,2 bilhões no primeiro semestre deste ano, que em comparação com o mesmo período de 2016, houve um crescimento de 67,3%.  Enquanto a Caixa mais que dobrou o seu lucro líquido no primeiro semestre, com resultado líquido de R$ 4,1 bilhões, cifra 104% maior que a registrada em idêntico intervalo do ano passado.
“Como se pode comprovar, não há nenhuma justificativa para cortar investimentos sociais,  fechar setores e desligar empregados, já que além de cumprir sua função social, o balanço dos bancos públicos é positivo. O que o governo golpista de Michel Temer pretende, na verdade, é vender a preço de banana o patrimônio do povo brasileiro para favorecer o mercado financeiro especulativo que financiou o golpe. A exemplo do que estamos fazendo aqui hoje, vamos lutar incansavelmente para derrotar essa quadrilha de dilapida as riquezas do povo brasileiro”, denunciou. 
Na oportunidade, os impactos negativos consequentes da privatização dos bancos estaduais foram relembrados. “Nós já passamos pela privatização do Bandepe, quando o Sindicato travou uma forte luta para tentar impedir, e estamos vendo o mesmo filme com o Banco do Brasil, Caixa, BNB e bancos estaduais fundamentais para a independência do Brasil”, comparou Solaney. A intervenção do representante nacional da CUT foi reforçada pelo presidente estadual da Central, Carlos Veras. “Defender os bancos públicos é defender direitos importantes para a classe trabalhadora. A privatização vai impedir que os trabalhadores melhorem sua condição de vida, porque os bancos privados não financiam agricultura familiar, nem a casa própria e nem educação para pobres. Os banqueiros estão apenas interessados no lucro e que se dane o desenvolvimento social”, atacou.
O Sindicato tem atuado em diversas frentes com a finalidade de fortalecer a luta em defesa dos bancos públicos. Após articulações no campo político, o presidente da Comissão Administração Pública da Alepe, Lucas Ramos, acatou o pedido para realização da audiência. “Neste momento, a Assembleia recebe as entidades de classe para discutir a situação dos bancos públicos no país. É fundamental que possamos debater as condições de trabalho dos servidores concursados que não sabem como ficarão a partir de uma proposta de privatização. Mas, precisamos discutir, principalmente, o impacto da venda dos  bancos públicos no desenvolvimento econômico e social do Estado”, justificou.
O trabalho de convencimento da população sobre a importância do papel social e econômico desempenhado pelos bancos públicos é um dos principais desafios. Por isso, a campanha do Sindicato em defesa dos bancos públicos também está nas ruas da capital pernambucana, em outdoors, outbus, outleds e panfletos. A direção da entidade também realiza visitas semanais às agências da Caixa, Banco do Brasil e Banco do Nordeste para convocar os trabalhadores para os atos públicos.
Após a audiência, a deputada Teresa Leitão protocolou o requerimento para instalação da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos junto à Mesa Diretora da Casa. O colegiado já foi implementado no Senado Federal, em nível nacional, e na Câmara dos Vereadores do Recife, em nível municipal. “Acatada a criação da Frente, vamos realizar audiências públicas em todas as regiões do Estado para informar e dialogar com a sociedade sobre a importância dos bancos públicos e as consequências da privatização em suas vidas e na economia do país”, concluiu.

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