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A categoria bancária é a única do Brasil que conquistou, ainda em 2016, um acordo bianual que garante aumento real nos salários e demais verbas. Para esclarecer os bancários sobre porque este reajuste representa uma vitória para um ano de recessão, o Sindicato realizou reuniões em seis agências de bancos privados, localizadas no centro do Recife.
Em 2017, o reajuste dos bancários será de 2,75%, percentual equivalente à reposição integral da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (INPC/IBGE), que no acumulado dos últimos 12 meses atingiu 1,73% , mais 1% de ganho real. “Estamos enfrentando um cenário adverso, num ano de deflação e de muitos ataques contra a classe trabalhadora. Poucas categorias conseguiram um aumento acima da inflação. Hoje, temos a certeza que o Comando Nacional acertou ao assegurar um acordo para os dois anos”, afirmou a presidenta do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Suzineide Rodrigues.
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 300 categorias tiveram reajustes abaixo da inflação; 91 delas, foram iguais ao INPC; 107 categorias conseguiram apenas 0,5% acima da inflação; e só 38 categorias entre 0,51% e 1% acima da inflação.
Os funcionários do Santander, Bradesco e Itaú tiveram a oportunidade de esclarecer as dúvidas sobre o reflexo do reajuste nas demais verbas. Na ocasião, a direção explicou que o percentual de 2,75 % também está garantido na Participação dos Lucros e Resultados (PLR) dos bancos privados, nos vales refeição e alimentação, além do auxílio creche/babá.
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Os rumos da Campanha Nacional 2017 também foram tratados durante as reuniões entre a entidade e os bancários. “A Contraf-CUT está fazendo um estudo jurídico para avaliar a viabilidade de uma greve que não seria por reivindicação salarial. Com o acordo vigente, a nossa convenção não pode ser alterada até 30 de agosto de 2018. Mas, não nos faltam motivos para lutar, entre eles, a defesa dos bancos públicos e do emprego em condições dignas. Esse governo golpista de Michel Temer está vendendo o Brasil e escravizando os trabalhadores”, explicou a secretária-Geral do Sindicato, Sandra Trajano.
DATA-BASE DOS BANCÁRIOS
Ontem (20), a Direção Executiva do Sindicato acompanhou uma palestra ministrada pela economista do DIEESE, Jaqueline Natal. Na ocasião, foram abordados temas como a data-base da categoria, Inflação, Índice de Preços e o balanço dos reajustes salariais.
Conforme explica Jaqueline, a data-base deste ano tem características bem diferentes dos anos anteriores. A primeira questão é o patamar de inflação extremamente baixo, o menor desde 2006, fruto de dois movimentos da economia: o de redução do preço dos alimentos e o outro de uma crise econômica muito forte que reduziu a demanda e surtiu o efeito de frear o aumento dos preços. Ela afirma que é importante avaliar que na data-base do mês de setembro de 2017 há uma inflação, acumulada de 1,73%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor do IBGE. “Esse ganho real leva a um total de 2,75%. Para além disso, é importante ressaltar que a manutenção da convenção coletiva é talvez a maior conquista do ano para a categoria bancária, frente ao cenário da reforma trabalhista, que tem como objetivo destruir as convenções e acordos coletivos vigentes”, concluiu.