BB faz desmonte em surdina e Sindicato reage prontamente

Comandado pelo governo
federal, o fechamento do Centro de Apoio aos Negócios e Operações
de Logística (CENOP), situado em Pernambuco, é mais uma medida
capciosa típica do suposto processo de reestruturação do Banco do
Brasil (BB). Em um só golpe, a decisão tomada nesta sexta-feira (5)
impactou a vida de mais de 200 empregados da estatal. 

O
Comitê responsável pelo anúncio tentou abafar a informação, mas
o Sindicato dos Bancários de Pernambuco descobriu a arapuca e
imediatamente chegou ao setor onde ocorreria a reunião para
comunicação oficial a fim de interceder em favor da categoria.

A
entidade foi barrada com vetos à participação de diretores. Nem
mesmo os dirigentes vinculados ao BB conseguiram contactar com a
Superintendência do banco para obter os devidos esclarecimentos. A
participação só foi permitida após intensa pressão dos
sindicalistas e dos funcionários.

Na ocasião, o Comitê informou que serão criadas 176 vagas no Centro de Atendimento do
Banco do Brasil (CABB), todas comissionadas, não significando, no
entanto, que os comissionados deslocados vão assegurar os mesmos
proventos, e poderá haver ascensão, lateralidade ou redução
salarial. Comunicou-se também que até o fim de fevereiro o espaço
estará em funcionamento, substituindo o CENOP. Duas datas já estão
agendadas para demais detalhamentos  à Gerência de Pessoal (GEPES): a primeira
reunião acontece nesta terça-feira (9); a segunda na quinta-feira
(11).

“Mais uma vez o processo de desmonte ocorre em
surdina para tentar nos imobilizar e assim fragilizar os empregados.
Apesar da postura antissindical da direção da empresa, conseguimos
nos reunir com os bancários e nos colocamos à disposição para
fazer tudo que for possível, tendo em vista a garantia dos direitos.
Também nos reunimos com os representantes do banco para exigir
garantias legais, transparência, lisura e respeito para com os
trabalhadores”, afirmou a presidenta do Sindicato, Suzineide
Rodrigues.

Já a secretária-Geral do Sindicato, Sandra
Trajano, abordou os procedimentos temerosos ora adotados. “Existe
claramente desrespeito de parte do BB para com as instâncias de
negociação, considerando que não há nenhum diálogo, tampouco o
recebimento de qualquer comunicado oficial sobre esse tipo de medida.
Esperamos que as reuniões agendadas, de fato, forneçam mais dados
para que possamos monitorar o processo”, criticou.

Diante
deste quadro de desmonte, outra situação que preocupa os dirigentes
sindicais é o deslocamento de comissionados para outros pontos de
atendimento criados pelo BB. “Todas as agências vivenciam mudanças
a partir do Programa de Adequação de Quadro (PAQ), porém,
simultaneamente, o banco está criando dois escritórios digitais,
fazendo com que os comissionados percam as comissões nas agências e
migrem para esses escritórios” alertou o diretor sindical, Cléber
Rocha.

Além dos dirigentes sindicais, a reunião contou com a
participação de dois delegados sindicais, Ronilson Sena e João
Menezes; além do representante da Unidade de Operações (UOP), Luiz
Fernando; do gerente da Unidade de Canais (UNC), Fausto de Andrade
Ribeiro; do gestor da GEPES, José Antônio; e
do gerente-Geral do CENOP, Samuel Nonato.

Ainda em curso, o
plano de desestruturação do BB teve início em 2016 por meio do
Plano de Demissão Voluntária (PDV) que já desligou mais de 10 mil
empregados e fechou mais de 400 agências em todo o País.

Na avaliação feita pela diretoria do Sindicato e pelos funcionários
do BB, tais medidas fazem parte do processo do desmonte dos
bancos públicos engendrada pelo sistema financeiro internacional,
tendo em vista o crescimento do mercado rentista no Brasil, que se
sustenta da especulação e da agiotagem.

“Estamos certos
que precisamos permanecer nas trincheiras contra essa política
econômica ultraliberal que leiloa o Brasil. Permanecer na luta é a
garantia que teremos alguma resposta positiva no futuro próximo. A
campanha em defesa dos bancos públicos vai continuar, por isso
convocamos todas as bancárias e bancários para permanecerem firmes
na defesa dos nossos direitos duramente conquistados”, concluiu
Suzineide Rodrigues.

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