Funcionários do BB participam de ato contra descomissionamentos

Nesta quarta-feira (16), mais de 50 funcionários do Banco do
Brasil vestiram-se de  preto para protestar contra
o descomissionamento arbitrário de quatro bancários em Pernambuco. O
ato público foi realizado pelo Sindicato dos Bancários de
Pernambuco, em frente à agência BB-Recife. Os empregados paralisaram suas atividades das 9h às 11h para cobrar que o banco,
que lucrou mais de R$ 11 bilhões no ano passado, esclareça quais
foram os critérios levados em consideração para determinar a dispensa.

Apenas com a finalidade de bater metas
de redução de custos e de desmontar a empresa pública, diretoria
do BB vem indevidamente se utilizando da ferramenta de Gestão de
Desempenho por Competências (GDP) para descomissionar funcionários,
sob alegação de baixo rendimento. Neste mês de maio em Pernambuco,
quatro funcionários do BB foram atingidos pela medida.

“Com
esse terror instalado no dia a dia dos bancários, o BB
tornou o seu corpo funcional adoecido e desacreditado da empresa, que
tem mais de 200 anos e sempre foi orgulho para os seus funcionários.
Não podemos ficar calados. O Sindicato tem o compromisso de
continuar com as ações necessárias para o restabelecimento do
nosso direito de utilizar a GDP para o aprimoramento das equipes, e não para
perseguição e castigo”, avaliou a secretária-Geral do Sindicato
e funcionária do BB, Sandra Trajano.

A Convenção Coletiva
de Trabalho (CCT) da categoria estabelece que os descomissionamentos
só podem ocorrer caso o funcionário apresente três ciclos
avaliatórios negativos. Essa regra foi desrespeitada pelo banco.
Segundo os relatos dos bancários que participaram da mobilização,
os funcionários atingidos apresentavam resultados positivos no
gerenciamento das suas respectivas carteiras.

Funcionária do
BB, Júlia Barreto dialogou com os colegas de trabalho sobre a
distorção imposta pela Superintendência do banco no uso da GDP.
“Não dá para aceitar que uma ferramenta excelente de gestão de
pessoas, que deveria ter uma avaliação de 360º, esteja sendo feita
de cima para baixo. Não cabe na minha cabeça ouvir que nós somos
apenas um número para o banco e que isso é um ‘ajuste
comportamental momentâneo’, como eles estão falando. Precisamos nos
unir e nos proteger, porque eles estão reinventando o assédio
moral. Querem que a gente tenha medo de vir aqui, de parar, de entrar
em greve e de negociar. Hoje estamos aqui não só pelos quatro
descomissionados, mas para que isso não vire uma prática”,
afirmou.

O ato teve como mote “BB: funcionário não é
descartável” e chamou atenção dos transeuntes da Avenida Rio
Branco, no Recife Antigo. Na ocasião, os dirigentes sindicais
destacaram que o descomissionamento é parte do projeto de desmonte
dos bancos públicos, que envolve também o fechamento de agências,
redução do quadro funcional e precarização dos serviços
prestados à população.

A presidenta do Sindicato, Suzineide
Rodrigues, avaliou o que está por trás dos ataques ao BB, como
empresa pública. “O governo federal intenta privatizar o Banco do
Brasil e entregá-lo de bandeja ao mercado. E para isso vai assediar
os colegas e vai matar adoecer os funcionários para atingir a meta,
porque quer concorrer com bancos privados. Então, só a luta
coletiva vai trazer vai manter o caráter público e os seus
funcionários. O banco só vai ouvir vocês, o Sindicato e a
sociedade com muita mobilização”. Avaliou.

A denúncia dos
bancários pernambucanos será levada à Confederação Nacional dos
Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT).

Amanhã (17),
os funcionários do BB terão a oportunidade de eleger a delegação pernambucana para o 29º Congresso Nacional dos
Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB). A votação será realizada
durante assembleia geral extraordinária que começa às 19h, na sede do
Sindicato.

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