Bancos cobram no Brasil as maiores taxas de juros do mundo

O pagamento de juros aos bancos já é a maior despesa das famílias brasileiras. Foram R$ 354,8 bilhões transferidos da renda dos trabalhadores para as instituições financeiras em 2017, mais do que os gastos com alimentação fora de casa, transporte urbano e aluguel. 
Isso porque mesmo com a taxa básica de juros do Brasil – o Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), que está em 6,5% ao ano – os usuários do sistema financeiro pagam no Brasil em média 334% de juros ao ano no crédito rotativo e 324% no cheque especial. 
Em 2017, os ganhos dos bancos com os serviços bancários aumentaram 10% em comparação com o ano anterior, somando R$ 126,4 bilhões. Os valores sobem tanto que a inflação de serviços bancários em 2017 foi de 8,96%, isto é, três vezes mais que a geral, de 2,95% do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). 
Atualmente, a receita com tarifas por serviços bancários é maior do que o orçamento do Governo Federal para a saúde (R$ 114,8 bilhões) e para a educação (R$ 109 bilhões). Apesar de cobrar caro pelos serviços, os bancos seguem líderes nos rankings de reclamações no Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor (Procon). 
“As taxas de juros cobradas pelos bancos no Brasil são abusivas. Somente com o que arrecadam na receita com tarifas, os bancos quitam toda sua folha de pagamento com sobras de quase 80%, ou praticamente outra folha inteira. Mesmo assim, oferecem um atendimento precarizado aos clientes e não asseguram melhores condições de trabalho aos bancários”, conclui a secretária-Geral do Sindicato, Sandra Trajano.

Expediente:
Presidente: Fabiano Moura • Secretária de Comunicação: Diana Ribeiro  Jornalista Responsável: Beatriz Albuquerque  • Redação: Beatriz Albuquerque e Brunno Porto • Produção de audiovisual: Kevin Miguel •  Designer: Bruno Lombardi