
Em meio às discussões sobre a Campanha Nacional dos Bancários, o presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Fabiano Moura, reforçou que o setor financeiro possui solidez e lucratividade mais do que suficientes para garantir avanços reais nas cláusulas econômicas da categoria.
“Os números não mentem. O setor bancário brasileiro continua sendo um dos mais lucrativos do mundo, com rentabilidade que supera historicamente a inflação e a própria taxa Selic. Os bancos têm plenas condições financeiras de atender às reivindicações dos trabalhadores, seja no aumento real de salário, na valorização do piso ou no reajuste expressivo do VA e VR”, declarou Fabiano Moura.
De acordo com dados do DIEESE, somente em 2025, os cinco maiores bancos atuantes no país (Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) acumularam um lucro expressivo de R$ 124 bilhões. Além disso, a rentabilidade média dos bancos (ROE) tem se mantido invariavelmente muito acima da inflação — mesmo após a pandemia, o índice ficou, em média, três vezes acima do IPCA.
Em 2025, a cobertura das despesas de pessoal apenas com as receitas de tarifas e prestação de serviços desses cinco maiores bancos foi de 123% (chegando a 142% quando desconsiderada a PLR), o que demonstra a robustez do caixa das instituições para absorver as demandas trabalhistas.
A Força da Mesa Única de Negociação
Segundo análise do Dieese – Subseção Bancários de Pernambuco, os dados demonstram que os ganhos e as perdas reais dos bancários estão intimamente ligados aos cenários macroeconômicos e às diretrizes políticas de cada governo, desde a gestão Itamar Franco até o atual mandato do presidente Lula.
Para o presidente do Sindicato, Fabiano Moura, os números revelam ainda a importância da negociação em mesa única. O modelo consolidado a partir de 2003, no 1º governo Lula, unificou a campanha salarial de trabalhadores de bancos públicos e privados em todo o país.
“A mesa única, estabelecida em 2003, é o nosso maior instrumento de unidade nacional. Ela garantiu que as conquistas de aumento real fossem estendidas de forma isonômica, beneficiando tanto os trabalhadores dos bancos privados quanto os dos bancos públicos, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Essa articulação impede a fragmentação da categoria e fortalece o nosso poder de barganha frente aos banqueiros”, enfatizou o presidente do Sindicato.
Como evidencia a análise da economista técnica do Dieese – Subseção Pernambuco, Osangela Sena, “a gestão de Fernando Henrique Cardoso (FHC) se concretizou como um dos piores períodos para a categoria, caracterizado por um profundo arrocho salarial. Trabalhadores de bancos públicos sofreram com reajustes nominais de 0% em vários anos consecutivos, como ocorreu no Banco do Brasil (1996 a 1999) e na Caixa Econômica Federal (1996, 1997, 1999, 2000 e 2001), resultando em perdas reais expressivas. Os fatores que influenciaram esse resultado incluíram as políticas de reestruturação e privatização do sistema financeiro, o forte enxugamento da máquina pública. Em contraste, o melhor período de recuperação e ganhos salariais teve início no primeiro governo Lula, especificamente a partir de 2004, quando a categoria passou a registrar aumentos reais de forma ininterrupta”, diz o relatório.
Com relação ao Banco do Nordeste, que é um banco regional, considerando o período de 2001 a 2025, o melhor resultado econômico de reajuste ocorreu em 2011, quando no BNB conquistou-se um reajuste nominal de 10,00%, gerando um ganho real de 2,43%. No mesmo ano, o BB e a Caixa obtiveram 9,00% de reajuste (ganho real de 1,50%). Enquanto o momento mais crítico ocorreu em 2003, durante a gestão Byron, atingindo a pior marca da história do banco com um saldo negativo de -4,19%. Esse desempenho refletiu os altos índices de inflação (INPC) da época, que superaram os reajustes nominais concedidos. Outras perdas relevantes ocorreram de forma isolada nos anos de 2016 (-1,48%) e 2020 (-1,40%), decorrentes de momentos de crise econômica.
O PIOR PERÍODO
- O Pior Período: Governo FHC (1995 – 2002) e o ano de 1996
- O período correspondente ao governo de Fernando Henrique Cardoso foi o mais severo para os trabalhadores de bancos públicos, marcado por anos consecutivos de perdas reais.
- O Pior Ano (1996): O ano de 1996 marcou o pior desempenho para as instituições públicas na série histórica. Com um reajuste de 0,00% frente a uma inflação (INPC) de 14,28%, os trabalhadores do Banco do Brasil e da Caixa amargaram uma perda salarial real drástica de -12,50%.
- Congelamento de Reajustes: Durante essa gestão, houve um longo período sem nenhum repasse salarial nominal. Os trabalhadores do Banco do Brasil tiveram reajuste de 0,00% de 1996 a 1999. Na Caixa Econômica, o cenário foi similar, com reajustes nulos em 1996, 1997, 1999, 2000 e 2001.
- Perdas Acumuladas: A Caixa também sofreu perdas agudas nos anos 2000 e 2001, com reduções reais de (-6,51%) e (-6,81%), respectivamente.
- Banco regional: o momento mais crítico do BNB ocorreu em 2003, durante a gestão Byron, atingindo a pior marca do período (2001-2025) do banco com um saldo negativo de -4,19%.
O MELHOR PERÍODO
- O Melhor Período: Governos Lula e Dilma (2004 – 2014) e o ano de 2010
- A partir de 2004, iniciou-se uma longa e ininterrupta sequência de ganhos reais para os funcionários de bancos públicos, que perdurou até 2015.
- O Melhor Ano (2010): O ano de 2010, durante o segundo mandato do presidente Lula, representa o ápice da valorização salarial para a categoria no setor público. Os bancos registraram o maior aumento real da tabela, atingindo a marca de 3,08%.
- Consistência de Ganhos: O período englobando as gestões Lula e Dilma (especialmente entre 2004 e 2014) garantiu a recomposição constante acima da inflação.
- Outros Destaques Positivos: O ano de 2014, sob o governo Dilma, que registrou ganhos consistentes de 2,02% no Banco do Brasil e 2,49% na Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste.
O histórico das campanhas salariais mostra uma trajetória consistente de ganhos reais desde a consolidação da mesa única em 2003, embora com variações importantes entre os diferentes períodos governamentais. Desde 2024, o acumulado de aumento real, que são os ganhos acima da inflação INPC, ultrapassou 23% nos bancos públicos e privados.
Para o Sindicato de Pernambuco, o retrospecto histórico prova que a mobilização unificada é o caminho para arrancar conquistas da mesa de negociação. “A história mostra que, quando a categoria se mobiliza nacionalmente, os bancos são pressionados. Em 2026, continuaremos firmes para garantir que a riqueza gerada pelos bancários retorne em forma de salários dignos e direitos conquistados”, concluiu Fabiano Moura.