
Cerca de 4 mil trabalhadores sem
terra ocuparam no começo da manhã desta terça-feira (23) o
Ministério da Fazenda, em Brasília. Os agricultores saíram em
marcha do Estádio Nilson Nelson, no centro da cidade, em direção
ao ministério. Eles reivindicam que o governo acelere a reforma
agrária e dê prioridade aos agricultores atingidos por barragens,
enchentes e chuva.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra (MST) quer uma resposta à questão das dívidas dos pequenos
agricultores, avaliadas em cerca de R$ 30 bilhões. Também cobra o
fim da previsão de corte de aproximadamente R$ 65 milhões nos
investimentos em reforma agrária no país este ano. Os trabalhadores
estão acampados em Brasília desde segunda-feira (22), e o mesmo
movimento é realizado em mais 22 estados.
As informações
são da assessoria de imprensa do MST. Não há uma previsão sobre o
tempo que os trabalhadores ficarão no Ministério da Fazenda, mas a
expectativa, segundo a assessoria, é que passem o dia no local.
O
último levantamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra), que analisa os números de 2003 a 2010, mostra que
a área incorporada ao programa de reforma agrária saltou de 21,1
milhões de hectares de terras, de 1995 a 2002, para 48,3 milhões,
registrando aumento de 129%.
Pelo levantamento, o número de
famílias beneficiadas também aumentou ao longo de oito anos,
chegando às atuais 614.093. No mesmo período, foram criados 3.551
assentamentos. Atualmente, o Brasil conta com 85,8 milhões de
hectares incorporados à reforma agrária, 8.763 assentamentos
atendidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra), onde vivem 924.263 famílias.
De acordo com o Incra,
a aquisição de áreas pelo instituto ocorreu por meio de
desapropriação, compra direta para implantação de assentamentos
de trabalhadores rurais e por meios não onerosos, como a destinação
de terras públicas e o reconhecimento de territórios.