Enterro dos banqueiros atrai as atenções no centro do Recife

Caixões, velas pretas,
coroas de flores, cruzes, padre, viúvas e carpideiras. Não faltou
nada no enterro dos banqueiros, que chamou a atenção de quem
passava pelo centro do Recife nesta sexta-feira, 14 de outubro, 18º
dia de greve dos bancários.

O velório foi na Praça do
Diário, onde seis caixões mostravam as imagens dos presidentes do
Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Itaú, Caixa e HSBC – bancos
que compõem a mesa de negociação da Fenaban (Federação Nacional
dos Bancos). Ao som da marcha fúnebre e de uma paródia de hino
religioso, os bancários de Pernambuco realizaram um dos mais
participativos protestos desta Campanha Nacional.

 

“A
manifestação, organizada pelo Sindicato, foi a resposta encontrada
pelos grevistas para cobrar dos banqueiros seriedade na mesa de
negociação. Depois do impasse destas últimas reuniões, os
trabalhadores decidiram intensificar a greve, que nesta segunda-feira
17 completa 21 dias”, explica a secretária de Finanças do
Sindicato, Suzineide Rodrigues.

>> Ouça reportagem sobre o protesto na Rádio dos Bancários
>> Veja galeria de fotos da greve

O ato contou com a
solidariedade de outras categorias e da CUT (Central Única dos
Trabalhadores). O vice-presidente da Central em Pernambuco, Carlos
Veras, lembrou que a luta é, também, por melhores condições de
trabalho. E contou que tem, inclusive, uma familiar aposentada por
invalidez depois de anos de trabalho insalubre no Banco do
Brasil.

“Os banqueiros registraram um lucro de mais de R$ 27
bilhões só no primeiro semestre deste ano. Não há justificativa
para que não façam uma negociação decente. A população precisa
entender que os bancários também estão lutando em defesa da
sociedade, por melhores condições de atendimento e menos tarifas e
juros”, diz.

O cortejo fúnebre seguiu pelas ruas do centro,
fez uma parada na agência do Itaú da Dantas Barreto, e seguiu até
ao local do enterro: o Bradesco. Lá os trabalhadores conversaram com
os bancários, que estão obrigados a manter a agência aberta por
força de interdito proibitório. E ganharam o apoio da população.

O cliente do Banco do Brasil, Esdras Douglas, criticou as
filas e a demora em ser atendido nas agências. Já Kátia Biondi,
cliente do Bradesco, salientou que, embora qualquer greve prejudique
a população, elas são necessárias para que os trabalhadores lutem
por seus direitos: “Quem trabalha, precisa ter o retorno daquilo
que faz. Então, embora não deixe de me sentir prejudicada, eu apoio
a greve dos bancários”, afirmou Kátia.

Também cliente do
Bradesco, Luizete Barbosa, lembrou que os bancários são muito
explorados, que as agências estão sempre cheias e há poucas
pessoas para dar conta do recado. E completou: “Estou achando muito
válido este protesto. Deveria ter um desses na educação”.

A
atividade foi encerrada com a realização de uma assembleia que
deliberou pela continuidade da greve. Durante todo o dia, alguns
bancos tentaram confundir os trabalhadores, com informações
erradas ou contraditórias para que eles encerrassem o movimento na
segunda-feira, 17. Mas a greve segue forte e já é a maior dos
últimos 20 anos.

Expediente:
Presidente: Fabiano Moura • Secretária de Comunicação: Diana Ribeiro  Jornalista Responsável: Beatriz Albuquerque  • Redação: Beatriz Albuquerque e Brunno Porto • Produção de audiovisual: Kevin Miguel •  Designer: Bruno Lombardi