Cumprindo compromisso assumido na mesa de negociação permanente com o
Bradesco, a Contraf-CUT, por meio da Comissão de Organização dos
Empregados(COE) do Bradesco, convidou a pesquisadora da Fundacentro
Maria Maeno para apresentar dados sobre saúde do trabalhador. A
palestra ocorreu nesta quinta-feira (8), na sede da confederação, em
São Paulo, e reuniu dirigentes sindicais e a comissão de negociação do
banco.
“O objetivo da discussão foi chamar a atenção do banco para a
importância de olhar para a saúde dos bancários. Nossa expectativa é
que o banco possa estar ponderando essas observações e trazer propostas
efetivas na continuidade da mesa para avançarmos, especialmente nas
questões relativas ao plano de saúde”, explica Elaine Cutis, diretora
da Contraf-CUT e coordenadora da COE Bradesco.
A pesquisadora explicou as diretrizes e práticas institucionais
voltadas à saúde mental no trabalho e salientou os planos de ação que
precisam ser tomados para implementação de políticas voltadas para a
Saúde do Trabalhador. Entre elas, a criação de instrumentos legais,
mobilização nacional e prevenção de agravos ocupacionais.
> Clique aqui para acessar o material na íntegra
Para Elaine Cutis, as informações sobre saúde mental no trabalho foram
importantes para que os trabalhadores discutam junto ao banco com mais
embasamento a inclusão de tratamentos essenciais que ainda não fazem
parte do convênio. “Os bancários não possuem cobertura nas áreas de
psiquiatria e psicoterapia, entre outras, o que entendemos como
prioritárias, uma vez que tratamos de uma atividade que afeta
diretamente a mente dos trabalhadores”, defende.
Segundo Maria Maeno, a reestruturação no setor financeiro promoveu o
aumento da concorrência e o enxugamento no quadro de funcionários.
“Este cenário reduziu os postos de trabalho e ampliou a exigência pelo
trabalhador polivalente, visto sempre como um vendedor. Além disso,
ainda há os fatores da automação e as metas crescentes”, diz.
Segundo a pesquisadora, a organização de trabalho adotada pelas
instituições financeiras ampliou o ritmo de trabalho intenso, a
quantidade de trabalho, a pressão pela produtividade e a
impossibilidade das pausas. “Com isso, o sistema músculo esquelético e
a mente entram em fadiga no trabalho”, explica Maria Maeno.
“Temos um enorme desafio para encarar. Os problemas relacionados a
saúde do trabalhador que foram apresentados são fatos que precisam ser
discutidos na mesa temática com a Fenaban. É dever de todos nós,
representantes dos sindicatos, trabalharmos para darmos um salto de
qualidade nesta questão”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da
Contraf-CUT.