Bancos se negam a discutir metas abusivas que adoecem bancários

“Não existem metas
abusivas nos bancos. Elas são apenas desafiadoras. O assédio moral,
quando existe, é resultado do desvio de caráter de alguns gestores.
As reclamações que existem nos locais de trabalho são normais,
parecidas com as dos filhos que se queixam das cobranças dos pais,
dos alunos que protestam contra exigências dos professores e dos
atletas que reclamam do rigor dos técnicos”.

Foi isso o que
os bancos alegaram nesta quarta-feira, dia 8, ao Comando Nacional dos
Bancários durante o segundo dia da primeira rodada de negociação
da Campanha 2012 (veja como foi o primeiro dia aqui). As discussões
sobre saúde e condições de trabalho terminaram em impasse, com a
Fenaban negando todas as reivindicações dos trabalhadores, como o
fim das metas abusivas e do assédio moral, que estão provocando uma
verdadeira epidemia de adoecimentos nas unidades.

Segundo a
secretária de Finanças do Sindicato, Suzineide Rodrigues, que
representou os bancários de Pernambuco nas negociações desta
semana, os bancos se recusaram a discutir todas as reivindicações
apresentadas pelos trabalhadores nas duas primeiras reuniões.

“As
negociações começaram muito mal. Todas as nossas demandas sobre
emprego, saúde e condições de trabalho foram negadas pelos bancos.
Vamos esquentar a mobilização dos bancários, pois só com pressão
vamos conquistar um bom acordo este ano”, explica Suzi, lembrando
que na semana que vem, dias 15 e 16, há novas negociações com os
bancos. “Esperamos mais seriedade da Fenaban nas próximas
reuniões, mas para isso temos de mostrar que estamos mobilizados e
prontos para a luta”, reforça.

Metas e assédio moral –
Durante a rodada de negociação desta quarta, os representantes
dos bancários reafirmaram a reivindicação de que a categoria
participe da discussão das metas. “Chegamos a propor uma pesquisa
conjunta para a Fenaban com o intuito de ouvir os bancários e
traçarmos um Raio-X dos problemas das metas. Mas os bancos recusaram
tanto a realização da pesquisa como a inclusão dos bancários na
discussão sobre o estabelecimento de metas”, conta Suzi.

O
Comando Nacional dos Bancários também cobrou dos bancos uma
reavaliação do instrumento de combate ao assédio moral previsto na
Convenção Coletiva. Também não houve avanço neste
debate.

Reabilitação profissional – O Comando
Nacional questionou a Fenaban sobre a razão pela qual nenhum banco
aderiu ainda ao Programa de Reabilitação Profissional, que está
desde 2009 na Convenção Coletiva. Pelo acordo, cuja implementação
é opcional, os bancos devem instituir programas de reabilitação
visando assegurar condições para a manutenção ou a reinserção
ao trabalho do bancário com diagnóstico de adoecimento, de origem
ocupacional ou não.

A Fenaban tentou fugir do questionamento,
sugerindo remeter a questão à mesa temática de saúde e condições
de trabalho, mas os dirigentes sindicais cobraram uma solução na
mesa de negociação. Por fim, a Fenaban se comprometeu a fazer
reuniões com os bancos e procurar resolver o assunto ainda na atual
Campanha Nacional.

Nova rodada de negociação – Os
debates sobre saúde e condições de trabalho continuarão na
segunda rodada de negociação, que ocorre na próxima quarta e
quinta-feira, dias 15 e 16, em São Paulo. Também serão discutidas
as reivindicações sobre segurança bancária, igualdade de
oportunidades e remuneração.

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