A Folha Bancária (FB)
foi censurada. Um policial militar e uma oficial de Justiça
estiveram na sede do Sindicato dos Bancários de São Paulo na noite
desta quinta-feira 4, além das regionais da entidade, com ordem de
busca e apreensão da última edição da FB.
A
representação protocolada na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo (Bela
Vista – Capital) na mesma quinta-feira, foi assinada pela juíza
Carla Themis Lagrotta Germano, e previa inclusive ordem de
arrombamento, “se necessário”.
A censura teve
origem em pedido da coligação do candidato José Serra (Avança São
Paulo – PSDB, PSD, DEM, PV e PR) que solicitou o recolhimento dos
exemplares da Folha Bancária, além da retirada da versão online do
site. O mandado afirma que a “matéria denigre a imagem” de
Serra.
O jornal trazia na última página reportagem que
analisava as propostas e trazia o histórico dos candidatos que
lideram a pesquisa à prefeitura de São Paulo: Russomano, Serra e
Haddad. Também declarava o apoio da maioria da direção executiva
da entidade a Fernando Haddad (PT), o único a receber e se
comprometer com a Agenda da Classe Trabalhadora.
“O
Sindicato tem quase 90 anos de existência e sempre lutou pela
democracia e pela liberdade de expressão. Desde o ano passado
estamos fazendo o debate, com os bancários, do que afeta a qualidade
de vida dos trabalhadores. Além da campanha salarial e por melhores
condições de trabalho, somos um sindicato cidadão se preocupa com
a cidade, o estado e o país em que os trabalhadores vivem. Sabemos
da importância desse debate”, afirma a presidenta do Sindicato,
Juvandia Moreira.
“Os trabalhadores têm direito a
analisar as propostas dos candidatos. Pode haver divergência, mas
repudiamos a censura”, ressalta a dirigente, lembrando que a FB
coloca em prática o bom jornalismo. “Não denegrimos a imagem
de ninguém. Só não pudemos noticiar o plano de governo de um dos
candidatos que não tem seu material divulgado nos sites oficiais da
campanha”, enfatiza.
Dados – O jornal Folha
Bancária circula desde 1939, o site do Sindicato está no ar desde
2005. É a primeira vez que sofrem censura.
O advogado do
Sindicato, Luiz Eduardo Greenhalgh, estranha o desrespeito com que a
liminar foi cumprida no Sindicato. “Entraram. Foram
recepcionados por funcionários do Sindicato e invadiram as
dependências. Comportamento estranho, que não é a conduta
costumeira da Justiça eleitoral de São Paulo”, afirma. “Com
relação ao mérito vamos contestar e tentar suspender a busca e
apreensão.”
Para o presidente da CUT, Vagner Freitas,
está sendo usurpado o direito de informação dos trabalhadores.
“Todos os veículos se expressam e respeitamos. Defendemos a
liberdade de imprensa, o direito à livre manifestação e foi isso
que colocamos em prática. É o nosso ponto de vista, podem concordar
ou discordar, mas não censurar”, ressalta o dirigente.
Revista
do Brasil – Esta é a terceira vez que Serra investe contra a
liberdade de expressão dos trabalhadores, quando o assunto não lhe
agrada. Em 2006 e 2010, duas edições da Revista do Brasil, uma que
trazia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outra com a então
candidata à presidência Dilma Rousseff, foram censuradas por
solicitação da coligação tucana à época daquelas eleições.
A
Revista do Brasil é mantida por cerca de 60 sindicatos de diversas
categorias profissionais.