O Sindicato e a
Contraf-CUT retomaram nesta quarta-feira, dia 27, as negociações da
mesa temática de Igualdade de Oportunidades com a Fenaban, em São
Paulo. A primeira reunião de 2013 foi marcada pelo início dos
trabalhos visando o planejamento do 2º Censo da Diversidade, que
deverá ser executado em 2014, conforme foi conquistado na Campanha
Nacional dos Bancários do ano passado.
O secretário de
Bancos Privados do Sindicato, Geraldo Times, conta que a reunião foi
produtiva. “Ao contrário do que ocorreu no primeiro censo, agora o
Sindicato vai participar da pesquisa durante todo o processo. Vamos
construir o questionário junto com a Fenaban, acompanhar a aplicação
da pesquisa e ter acesso ao resultado completo. No primeiro censo,
chamado de Mapa da Diversidade, aplicado em 2008, não pudemos
participar mais ativamente e, com isso, questões importantes, como a
orientação sexual, ficaram de fora. Agora, graças à pressão do
Sindicato e à forte greve encampada pelos bancários no ano passado,
a Fenaban atendeu nossa antiga reivindicação, dando mais
transparência ao processo”, diz Geraldo.
Outro ponto
definido se refere ao calendário de preparação do 2º Censo, que
deve se estender até novembro deste ano. A previsão é que a
pesquisa seja aplicada entre os bancários a partir de março de
2014. “A Contraf-CUT irá elaborar uma proposta de calendário de
reuniões dos grupos de trabalho que comporão a construção do
levantamento nos próximos dias e enviará à Fenaban. A partir do
entendimento comum das datas, os trabalhos dos grupos iniciarão
ainda neste semestre”, explica Andrea Vasconcelos, secretária de
Políticas Sociais da Contraf-CUT.
A Fenaban se comprometeu
ainda a melhorar as informações que dizem respeito às ocupações
dos trabalhadores, sobre o tempo e permanência no emprego e
progressão profissional. A análise de orientação sexual está
garantida e será incluída no novo censo.
Ponto negativo
– Segundo Geraldo, o ponto negativo da reunião desta
quarta-feira foi a exclusão de parte dos trabalhadores dos bancos na
pesquisa. “A Fenaban recusou nossa proposta de incluir no cento os
terceirizados, estagiários e jovens aprendizes”, conta. A
federação dos bancos se recusou também a fazer a diferenciação
entre bancos públicos e privados. Isso permitiria aos sindicatos
saber, por exemplo, qual é a real contratação de negros e negras
pelos bancos privados, já que essas informações não estão sendo
disponibilizadas para o movimento sindical.
Pessoas com
Deficiência – Nas campanhas nacionais, o movimento
sindical tem reivindicado mais contratações de trabalhadores com
deficiência e a adaptação do ambiente de trabalho às suas
necessidades, conforme o que preconiza a NR-17, além da
acessibilidade irrestrita. Também tem sido pautado que a
participação de representantes desses trabalhadores na elaboração
e implementação dos programas de qualificação e capacitação.
Foi
ressaltada a importância de garantir abono de faltas quando for
necessária à manutenção de próteses, órteses, cadeiras, óculos
etc. Esses componentes artificiais são essenciais à mobilidade dos
trabalhadores e sem eles é impossível a locomoção.
“Se
os demais trabalhadores têm o direito de apresentar atestado médico,
no momento em que ocorre algum problema de saúde ou acidente sem o
registro da falta, por que os trabalhadores com deficiência não
podem apresentar um documento que justifique o reparo desses
componentes?”, questiona Andréa. O Sindicato e a Contraf-CUT
ressaltaram que já há essa conquista num banco privado e que,
portanto, é possível estendê-la para as demais instituições
financeiras.
“Também reivindicamos que todos os bancos
subsidiem a compra de componentes artificiais e dispositivos
externos, segundo as necessidades dos trabalhadores com deficiência”,
salienta a dirigente da Contraf-CUT.
A Fenaban ficou de
avaliar essas demandas e apresentar uma resposta na próxima reunião
da mesa temática.