Em
reunião do Comitê de Relações Trabalhistas (CRT), realizada na
tarde desta segunda-feira (29) com a Contraf-CUT, federações e
sindicatos, em São Paulo, o Santander acenou com mudanças para
valorizar o caminho do diálogo e a mesa de negociação. O novo
superintendente de relações sindicais, Luiz Cláudio Xavier, que no
último sábado (27) completou dois meses no cargo, trouxe algumas
respostas sobre a pauta específica de reivindicações dos
funcionários e sinalizou com a possibilidade de retirada das ações
judiciais movidas pelo banco contra várias entidades sindicais.
A
pauta específica contém as demandas aprovadas no Encontro Nacional
dos Funcionários do Santander, realizado pela Contraf-CUT nos dias 4
e 5 de junho, com a participação de mais de 130 dirigentes
sindicais de todo país, incluindo propostas de emprego, condições
de trabalho, remuneração, saúde suplementar e previdência
complementar.
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ver a íntegra da pauta específica
Condições
de trabalho –
“Reivindicamos
o fim das precárias condições de trabalho, sobretudo na rede de
agências, agravadas pela falta de funcionários, o que vem trazendo
sobrecarga de serviços, assédio moral para bater metas abusivas,
uso de remédios de tarja preta, adoecimento e afastamento de muitos
colegas”, destaca o secretário de imprensa da Contraf-CUT,
Ademir Wiederkehr. Não é à toa que o banco liderou pelo quinto mês
consecutivo, em junho, o ranking de reclamações de clientes no
Banco Central.
“Não concordamos que um iluminado no
banco continue baixando metas abusivas que estão enlouquecendo os
trabalhadores”, enfatiza a diretora executiva do Sindicato dos
Bancários de São Paulo, Rita Berlofa. “É preciso mudar essa
gestão que busca reduzir custos na base do corte de postos de
trabalho, prejudicando também o atendimento aos clientes”,
completa.
Os dirigentes sindicais solicitaram uma nova
divulgação do comunicado interno, anunciado na reunião anterior do
CRT, de que caixas não podem ter metas individuais, pois muitos
trabalhadores somente foram informados da sua existência pelo
movimento sindical. Além disso, a medida impõe uma redefinição
das metas das agências.
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ler o comunicado sobre as atividades dos caixas
O banco disse
que está debatendo internamente as reivindicações dos bancários
sobre condições de trabalho e prometeu realizar uma reunião
específica, durante o mês de agosto, para apresentar e discutir o
programa de reabilitação.
Além disso, o banco concordou com
os dirigentes sindicais de que estagiários e aprendizes não podem
ter metas, comprometendo-se em divulgar uma orientação para a rede
de agências.
Previdência
complementar –
Os
dirigentes sindicais cobraram a retomada do Grupo de Trabalho (GT)
sobre o SantanderPrevi, criado no acordo aditivo à convenção
coletiva, em 2011, com a finalidade de construir um processo
eleitoral democrático. O GT foi mantido no aditivo assinado em 11 de
setembro de 2012, com prazo de 60 dias para concluir os trabalhos,
mas continua pendente.
Xavier respondeu que a superintendência
de relações sindicais incorporou também a área de previdência e
ficou de realizar uma reunião do GT ainda em agosto. Os dirigentes
sindicais apontaram que uma das alternativas é a unificação da
gestão dos planos de previdência no Banesprev, que possui um modelo
de governança capaz de administrar os demais planos no banco, com
mecanismos de democracia, transparência e fiscalização dos
participantes.
Demissões,
rotatividade e corte de empregos –
A
política de emprego do Santander foi duramente criticada pelos
representantes dos trabalhadores. No primeiro semestre deste ano,
segundo informações da maioria dos sindicatos para a Contraf-CUT, o
banco demitiu 2.604 funcionários, dos quais 1.820 sem justa
causa.
Esses números, embora parciais, são maiores do que os
do mesmo período do ano passado, segundo dados do Caged, quando o
Santander desligou 2.449 empregados, sendo 1.175 sem justa causa.
Além disso, o banco cortou 508 empregos no primeiro trimestre de
2013, conforme revela o balanço.
O banco, no entanto, não
apresentou nenhuma proposta de emprego. “Vamos continuar
pressionando o Santander para que parem as demissões, a
rotatividade, o corte de empregos e a terceirização. Se lá na
Espanha, onde tem crise financeira, o banco não demite, é
inaceitável que aqui onde obtém 26% do lucro mundial o banco faça
redução de postos de trabalho”, salienta Ademir. “Também
reiteramos o acesso mensal aos dados do Caged, a fim de podermos
acompanhar a evolução do emprego no banco”.
Reestruturação,
bolsas de auxílio-educação e trabalhadores estrangeiros –
Os
dirigentes sindicais criticaram o processo de reestruturação em
andamento no banco, que está cortando postos de trabalho. Em várias
agências, o banco extinguiu os coordenadores, sobrecarregando
serviços e provocando desvio de funções de caixas e gerentes. Há
casos de fusão de agências e superintendências regionais.
Também
cobraram a divulgação do balanço sobre as bolsas de estudo
concedidas no 1º semestre de 2013, requerendo o total de
solicitações, número de vagas preenchidas, quantidade de recusas e
os motivos das mesmas. Ainda pediram esclarecimentos sobre a grande
quantidade de trabalhadores de outros países trabalhando em agências
e centros administrativos, principalmente em São Paulo, solicitando
que o banco informe o número desses trabalhadores, as funções que
desempenham e forma do contrato de trabalho.
O banco prometeu
trazer informações sobre reestruturação, bolsas de estudo e
número de trabalhadores estrangeiros na reunião agendada para
sexta-feira.
Pendências
de reuniões anteriores –
O
novo negociador do Santander não trouxe respostas para várias
reivindicações e diversas pendências de reuniões anteriores,
alegando que ainda estão sendo analisadas. Os dirigentes sindicais
reivindicaram a mudança do cálculo de pagamento das horas extras,
com a aplicação imediata da súmula 124, de 14/09/2012, do TST, bem
como o cumprimento da cláusula 27ª do acordo aditivo que trata de
procedimento com os trabalhadores afastados.
Também foi
defendido pelos representantes dos trabalhadores a adequação do
estatuto da Cabesp às mudanças da legislação previdenciária, uma
vez que aposentadoria não é mais motivo de desligamento do banco.
Foi reforçada a necessidade de valorização dos funcionários com
deficiência (PCD) com transferência de suas lotações para locais
mais próximos de suas residências, como forma de melhorar sua
mobilidade e qualidade de vida.
A concessão de folga no dia
de aniversário, conforme já vem sendo feito por gestores em vários
locais de trabalho e no HSBC, foi reivindicada para todos os
funcionários do banco. Da mesma forma, foi reafirmada a importância
da redução das taxas de juros de empréstimos, consignado, cheque
especial e cartão de crédito, bem como a isenção das tarifas
bancárias para todos os funcionários e aposentados do banco.
Não
à terceirização dos prepostos para homologações –
Os
representantes dos trabalhadores cobraram novamente o fim da
terceirização dos prepostos do banco para homologações junto aos
sindicatos, na medida em que se trata de atividade-fim da empresa e
não deve ser exercida por terceiros.
O Santander reconheceu
que o procedimento foi adotado em todo país, exceto em São Paulo
(capital). “Comunicamos o banco de que a orientação do
movimento sindical é de que nenhum sindicato faça homologação sem
a presença de um funcionário do banco como preposto”, salienta
a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do
Santander, Maria Rosani.