“Até quando morreremos para que outros possam passar com velocidade?”. Após uma semana marcada pelas dificuldades para os ciclistas no trânsito do Recife, grupo questiona o trânsito da cidade e se organiza para protestar pela maior visibilidade dos não-motorizados no Recife. Agosto iniciou com quatro ciclistas atropelados na Região Metropolitana (RMR) em um intervalo de três dias, entre sábado (3) e segunda-feira (5). O protesto, que no momento debate coletivamente as pautas de reivindicação, está marcado para sexta-feira (9), com concentração no Coreto da Praça do Derby, às 18h.
Invisibilidade – Dois dos ciclistas atropelados morreram. Um deles foi vítima de uma carreta na Avenida Presidente Kennedy, em Olinda. O segundo foi atingido por um ônibus no bairro do Beberibe, zona norte do Recife. Dentre os que sobreviveram às colisões, um ciclista atingido por moto no bairro de San Martin, na zona oeste, e uma funcionária pública atingida por um carro no trecho da ciclofaixa móvel, no bairro das Graças. A colisão ocorreu mesmo com o equipamento de segurança do trajeto, atualmente considerado o mais completo da capital – apesar de funcionar apenas aos domingos e feriados pré-determinados.
Confira na íntegra nota da Associação Metroplitana de Ciclistas do Grande Recife (AMECiclo) sobre os atropelamentos e a situação atual do trânsito recifense:
A invisibilidade está presente no dia a dia do ciclista e seu custo é impagável. Nestes últimos três dias foram registrados quatro atropelamentos de ciclistas, dois deles fatais, que tornaram mais evidentes a necessidade de se conceber ações que permitam um trânsito mais humanizado e que não privilegie os veículos motorizados.
A Ameciclo vem manifestar publicamente sua preocupação com a falta de medidas efetivas por parte dos governos municipais e estadual no que diz respeito à segurança dos usuários de bicicletas do Grande Recife.
É inaceitável que pessoas continuem sendo vítimas fatais da epidemia que assola as nossas vias urbanas, provocada, na maior parte dos casos, pela falta de fiscalização de condutas já previstas no Código de Trânsito Brasileiro e também de um modelo societário que privilegia o uso de carros.
Cada bicicleta carrega um um ser humano e não podemos admitir que pais, mães, filhos e filhas tenham seus projetos de vida tragicamente interrompidos por omissão do poder público!
Cobramos estrutura cicloviária (promessa de campanha) que atenda ao deslocamento diário de bicicletas pelo Grande Recife e fiscais que garantam o cumprimento das leis previstas no CTB, como a distância de 1,5m que os veículos devem manter dos ciclistas, redução da velocidade máxima, especialmente, nas ultrapassagens, etc.
A sociedade e o Poder Público devem acordar AGORA para suas respectivas responsabilidades pelas recentes violências sofridas por ciclistas!