Sob o tema “A
juventude que ousa lutar constrói o projeto popular”, milhares
de pessoas participaram neste sábado do Grito dos Excluídos, que há
19 anos reúne jovens, trabalhadores e movimentos sociais em todo
país, fazendo contraponto aos desfiles oficiais de 7 de
setembro.
No Recife, cerca de duas mil pessoas tomaram a
avenida Conde da Boa Vista e marcharam, por quase três horas. Como
sempre, o Sindicato dos Bancários de Pernambuco estava lá. Segundo
a secretária de Finanças do Sindicato, Suzineide Rodrigues, além
de denunciar o Mapa da Violência que coloca os jovens negros como as
principais vítimas dos homicídios nos centros urbanos, os bancários
colocaram em pauta temas que interessam a todos os
trabalhadores.
“Aproveitamos o ato para exigir o fim do
fator previdenciário e a redução da jornada de trabalho, além de
mais investimentos em saúde, educação e transporte público de
qualidade. E, claro, discutimos com a população os problemas do PL
4330, o projeto de lei que deve ser votado este mês pela Câmara dos
Deputados e que legaliza a terceirização fraudulenta no Brasil”,
diz Suzineide, que participou do Grito ao lado de outros dois
diretores do Sindicato: Fabiano Moura e Gillvam Santana.
Foram
2,5 quilômetros de caminhada, saindo às 10h40 da Praça Oswaldo
Cruz, e seguindo em direção a Basílica da Igreja do Carmo, no
bairro de Santo Antônio, Centro do Recife, onde o ato foi finalizado
com o pronunciamento do arcebispo de Recife e Olinda, Dom Fernando
Saburido, e posterior ciranda.
Todo o trajeto foi acompanhado
por dois trios elétricos e um carro de som, que davam voz aos
manifestantes, munidos de bandeiras e cartazes, que distribuíam
panfletos com reivindicações e entoavam hinos de ordem. Promovido
pelos movimentos sociais ligados à Igreja Católica, pelos setores
organizados dos trabalhadores, sindicatos, pastorais, e coletivos de
juventude, esse ano o ato contou ainda com a participação da Frente
de Luta Pelo Transporte Público de Pernambuco, que defende a
bandeira do Passe Livre para estudantes.
Houve ainda os que
foram fazer o seu protesto individual. “Vim aqui para fazer um
desabafo. Sou servidor civil da aeronáutica há 30 anos e venho
sofrendo com assédio moral, violência psicológica e humilhação”,
disse Rinaldo Costa dos Santos. Por outro lado, o Movimento de
Mulheres Contra o Desemprego trouxe à tona a polêmica da chegada
dos médicos cubanos, pelo programa do Governo Federal Mais Médicos.
“Eles são bem vindos. Sou enfermeira de um Posto de Saúde da
Família e, diferente do que vem sendo dito, os médicos brasileiros
não querem nem trabalhar na RMR. Lá faltam muitos médicos. Conheço
cubanos e o compromisso com os mais necessitados eles tem desde a
formação”, enfatizou Edla Noronha.
Segundo o presidente
da Central Única dos Trabalhadores em Pernambuco (CUT-PE), Carlos
Vera, uma das reivindicações do movimento é a redução da jornada
de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Segundo ele, essa redução
geraria emprego e ajudaria na saúde dos trabalhadores. “Esse é um
momento de muita unidade entre os povos, inclusive os que vivem à
margem das políticas públicas”. E conclui: “Este é um
movimento de todas as bandeiras sindicais”.
Vilma Maria,
diretora regional da CUT-PE, afirma que o movimento deste sábado
servirá para preparar os jovens para darem continuidade à luta.
“Lutamos por justiça social. Queremos reforma agrária; redução
da jornada de trabalho sem a diminuição do salário; o fim do fator
previdenciário e derrubada do PL 4330/04 (projeto de lei que libera
a terceirização de serviços em órgãos públicos). Queremos, na
verdade, concursos públicos, melhor saúde e educação”,
enfatizou.