Os bancários de
Pernambuco decidiram nesta quarta-feira, 11, entrar em greve por tempo indeterminado a partir do próximo dia 19. Em
assembleia realizada no início de noite na sede do Sindicato com a
presença de 300 bancários, os trabalhadores disseram um sonoro
“não” à proposta apresentada pelos bancos na semana passada
(veja os principais pontos abaixo).
Para a presidenta do
Sindicato, Jaqueline Mello, as negociações com os bancos não vão
avançar se os bancários não fizerem uma greve forte. “A
participação da categoria na assembleia foi muito boa e a aprovação
da greve foi praticamente unânime. Agora, precisamos construir uma
grande paralisação nacional para pressionar os bancos e garantir
que a nossa pauta de reivindicações da Campanha deste ano seja
atendida”, diz.
Durante a assembleia, Jaqueline convocou
todos os bancários presentes a participar ativamente do movimento
grevista, ajudando a dialogar com os colegas e a convencê-los a
participar da paralisação. “Sabemos que os bancos vão pressionar
– e muito – os trabalhadores a não aderirem ao movimento. Por
isso temos de convencer cada bancária e cada bancário a juntar-se a
nós nesta luta. Juntos, enfrentaremos os bancos e vamos vencer toda
a truculência dos patrões. Greve é o momento em que temos de ser
fortes e ter a consciência de que, durante a paralisação, paramos
de trabalhar para os bancos e passamos a trabalhar para nós, numa
luta por melhores salários e condições dignas de trabalho”,
afirmou.
A greve foi orientada pelo Comando Nacional dos
Bancários, do qual o Sindicato de Pernambuco faz parte, na semana
passada, após a quarta rodada de negociações com a Fenaban. Depois
de um mês de intensos debates, os bancos apresentaram uma proposta
que não contempla nenhuma reivindicação dos bancários.
“A
proposta da Fenaban não tem aumento real de salário, valorização
do piso, melhora da PLR. Não fala nada sobre a proteção ao
emprego, nada de avanços para a saúde dos trabalhadores e nem para
melhorar as condições de trabalho. Nada que aponte para o fim das
metas abusivas e do assédio moral. E o pior é que a Fenaban disse
que esta é a proposta final. Diante disso, só nos resta mostrar
para os bancos que esta não é a proposta final e que queremos mais.
É por isso que vamos parar”, destacou Jaqueline.
Nova
assembleia para organizar a greve será realizada na próxima
quarta-feira, dia 18, véspera do inicio da paralisação nacional. A reunião
será às 19h, também na sede do Sindicato (Av. Manoel Borba, 564,
Boa Vista, Recife).
A PROPOSTA DA FENABAN
Reajuste
6,1% (previsão da inflação pelo INPC) sobre salários, pisos e todas as verbas salariais (auxílio-refeição, cesta-alimentação, auxílio-creche/babá etc)
PLR
90% do salário mais valor fixo de R$ 1.633,94, limitado a R$ 8.927,61 (o que significa reajuste de 6,1% sobre os valores da PLR do ano passado)
Parcela adicional da PLR
2% do lucro líquido dividido linearmente a todos os bancários, limitado a R$ 3.267,88
Adiantamento emergencial
Não devolução do adiantamento emergencial de salário para os afastados que recebem alta do INSS e são considerados inaptos pelo medico do trabalho em caso de recurso administrativo não aceito pelo INSS
Prevenção de conflitos no ambiente de trabalho
Redução do prazo de 60 para 45 dias para resposta dos bancos às denúncias encaminhadas pelos sindicatos, além de reunião específica com a Fenaban para discutir aprimoramento do programa de programa
Adoecimento de bancários
Constituição de grupo de trabalho, com nível político e técnico, para analisar as causas dos afastamentos
Inovações tecnológicas
Realização, em data a ser definida, de um Seminário sobre Tendências da Tecnologia no Cenário Bancário Mundial
AS REIVINDICAÇÕES DOS BANCÁRIOS
Reajuste salarial
11,93% (5% de aumento real mais inflação projetada de 6,6%)
PLR
Três salários mais R$ 5.553,15
Piso
R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese)
Auxílios-alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá
R$ 678 ao mês para cada (salário mínimo nacional)
Melhores condições de trabalho
Fim das metas abusivas e do assédio moral que adoece os bancários
Emprego
Fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330 que precariza as condições de trabalho, além da aprovação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas
Carreira
Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários em todos os bancos
Auxílio-educação
Pagamento para graduação e pós-graduação
Prevenção contra assaltos e sequestros
Fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários
Igualdade de oportunidades
Contratação de pelo menos 20% de negros e negras