
Desde criança, quando morava em Paris com a mãe francesa e o pai pernambucano, Marianne Peretti desenhava em jornais e lenços de seda. A inclinação para a arte, qualificada por ela como “coisa normal, natural”, se transformou em ofício que definiu a sua vida. A arte a levou a trabalhar com nomes como Oscar Niemeyer, especialmente em vitrais e esculturas que ajudaram a dar a Brasília a sua identidade visual. Radicada no Brasil desde 1958 e, atualmente, com 85 anos, a artista plástica recebe uma homenagem com a exposição Marianne Peretti – 60 anos de arte, cuja abertura acontece nesta quinta-feira (5), às 19h, na Caixa Cultural.
A mostra foi concebida como uma pequena retrospectiva, que traz, por exemplo, paineis fotográficos que mostram o legado artístico de Marianne a partir da construção da atual capital federal. Peretti foi a única mulher a integrar a comitiva de artista que acompanharam Oscar Niemeyer para a criação da atual capital do país. Muitas das paisagens que se tornaram icônicas no centro do poder político nacional têm as mãos de Marianne, como a Catedral de Brasília. As imagens dispostas na exposição têm grande formato, o que remete ao caráter monumental dos vitrais da artista.
Segundo o curador da mostra, Laurindo Pontes, a exposição também tem o intuito de levar informações sobre a trajetória de Marianne a um público mais amplo, pois a artista não costuma expor de forma mais tradicional o seu trabalho. “Muitas pessoas nem sabem que ela foi tão importante na construção de Brasília, por exemplo”, avalia Pontes. Sobre o trabalho com Niemeyer, a “franco-pernambucana” lembra do processo sem falsa modéstia e com naturalidade. “Oscar me chamou para trabalhar com ele assim que viu meus desenhos. Acho que ele estava esperando alguém como eu. Na minha opinião, minhas coisas complementam bem as coisas dele”.
Acervo – Além das fotografias, também foram incluídas na mostra esculturas de vidro, ferro e resina, além do que foi chamado, no material da mostra, de “obras úteis e agradáveis”. São mesas, cadeiras e objetos do acervo pessoal da artista, incluídos na exposição com o intuito de mostrar a versatilidade das ideias de Marianne. Muitas de suas obras são encomendadas por compradores particulares e a última exposição individual aconteceu ainda nos anos 1980 e, na maioria das vezes, são os vitrais e as esculturas as suas obras mais levadas a público.
Outra parte da mostra que guarda um simbolismo particular está em pequeno recinto da Caixa Cultural, onde antes havia um cofre-forte. Lá, está uma escultura de Marianne em vidro que traz o desenho de um pássaro, figura recorrente em sua obra. O aúdio do espaço é composto por fragmentos de entrevistas feitas pela artista ao longo da carreira, gravados pela própria Marianne especialmente para a exposição.
Atualmente, Marianne trabalha em uma obra em mármore, material com o qual nunca tinha trabalhado, para o futuro prédio da Assembleia Legislativa. A exposição faz parte de uma série de três homenagens à artista, chamada Documento Marianne Peretti. Também está prevista a edição de um livro e de um documentário sobre o legado dela. “Faço o que vem na cabeça a qualquer momento. Você vive com essas coisas, é uma obsessão. Como trabalhei com Niemeyer e faço parcerias com arquitetos, muitos pensam que também sou desse meio. Se eu fosse arquiteta, não faria o que faço. Eu tenho a liberdade absoluta, o que é melhor”.
Serviço
Exposição Marianne Peretti – 60 anos de arte
Onde: Caixa Cultural – Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife
Visitação: Terça a domingo, das 10h às 19h, de 6 de dezembro a 19 de janeiro de 2014
Informações: 3425-1900