Com dois debates enriquecedores, delegados sindicais se preparam para agir

Tomaram
posse, nesta sexta-feira, dia 25, os
87 delegados sindicais eleitos nos bancos públicos. Os
novos representantes dos bancários participaram
do seminário de formação, promovido pelo Sindicato, e
saíram do encontro com a certeza de que é preciso dar uma
chacoalhada na
organização dos trabalhadores,
E mais: que eles, representantes
sindicais de base,
têm
papel essencial nisso. Para
os participantes, as palestras, com a pesquisadora
Petilda Vazques, especialista em Relações do Trabalho, e o
secretário de organização da CUT Nacional, Jacy Afonso, foram
enriquecedoras.

Durante
a manhã, Petilda traçou
o Raio-X do ambiente de trabalho no Sistema Financeiro: a ideologia
da competência, semeada pelo individualismo; os adoecimentos; e a
tecnologia a favor da reprodução desta organização do trabalho.

Petilda, que é professora de Direto do Centro Universitário
Estácio da Bahia, lembrou
o número de suicídios cometidos na década de 90, sobretudo nos
bancos públicos ou estaduais que tiveram ceifada sua função
social. Analisou, ainda, como a tecnologia e o mundo virtual instaura
uma automação que desumaniza o mundo do trabalho, transformando
empregados em reprodutores de uma máquina.

A pesquisadora
alertou para a chamada ideologia da competência, fruto de uma
organização pautada pelo individualismo e competitividade. “A
lógica do Mercado é perversa: não há lugar para bons, somente
para excelentes. E a excelência nunca se alcança, o que gera uma
sensação perpétua de frustração e desamparo”, ressaltou
Petilda. Em nome desta busca da excelência inexistente, pessoas não
apenas adoecem, como passam a se orgulhar do próprio adoecimento,
por ser um sinal de sua dedicação.

Para
o movimento sindical, a especialista lança o desafio de se
reavaliar, traçar novos caminhos em um tempo que já não é o
mesmo. “O capitalismo transformou o conflito de classe em conflito
de interesses”,
alertou ela, ressaltando a importância de avançar na discussão
política e romper corporativismos.

Reavaliação
A
ruptura do corporativismo e a necessidade do movimento sindical se
autoavaliar foi, também, a tônica da palestra de Jacy Afonso. Ele
lembrou o histórico das lutas sindicais, desde o período anterior à
Getúlio Vargas quando, sem a intervenção do Estado, o movimento
sindical tinha um perfil mais agregador, com as diversas categorias
lutando juntas. Lembrou que nem mesmo durante a ditadura a ação
sindical deixou de acontecer, mesmo sem os sindicatos,
que estavam nas mãos dos interventores.

Lembrou,
ainda, os avanços e conquistas garantidos pela luta dos
trabalhadores e a combatividade da década de 80. “Construímos uma
greve geral em 85, sem internet, sem redes sociais, sem fax… E como
isso foi possível? Graças à organização
por local de trabalho”,
ressaltou.

A
partir do período sombrio
da década de 90 – de arrocho salarial e organização silenciada
–, o sistema financeiro
se
reformulou, adquiriu novas características. Agências foram
reduzidas, a tecnologia substituiu humanos, comerciários passaram a
ser bancários e bancários passaram a ser comerciários, o
comissionamento passou a ser usado para esvaziar a organização
sindical, o individualismo tomou dimensões gigantescas.

Neste
contexto, Jacy ressalta para a necessidade de se retomar o caráter
de classe do movimento sindical. No caso dos bancários, significa
incorporar às lutas todos aqueles que, de alguma forma, fazem parte
da estrutura do Ramo Financeiro: comerciários ou trabalhadores dos
Correios que atuam como correspondentes bancários, vigilantes de
bancos, setor de processamento de dados de instituições
financeiras, pessoal da limpeza. “Já pensou se unificássemos a
data-base e fizéssemos uma greve conjunta com todos estes atores que
fazem o sistema girar?”, indaga.

Jacy
ressaltou, ainda, a importância de reforçar
o debate sobre precarização do ambiente de trabalho na Campanha
Nacional, cujos avanços têm sido centrados em questões
financeiras. “Os delegados sindicais são fundamentais em tudo
isso. São eles que estão dentro dos bancos. São eles que sentem os
problemas na pele…”, ressalta o dirigente.

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quem
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