
O Sindicato realizou nesta
quinta-feira, 15, na cidade do Moreno, Região Metropolitana do
Recife, manifestação de protesto contra o fechamento da agência
do Santander no município. A unidade é uma das dez agências que
serão fechadas ou “incorporadas” até o final de maio em
Pernambuco, segundo anunciado pela direção nacional do banco. A
atividade desta quinta faz parte da Jornada Nacional de Luta contra
as demissões do Santander.
Apesar do lucro de R$ 1,428 bilhão no
primeiro trimestre do ano, no mesmo período, o Santander eliminou
970 postos de trabalho. Com isso, o banco espanhol fechou 4.833 vagas
nos últimos 12 meses, o que representa uma queda de 9,% no seu
quadro de funcionários.
A mobilização desta quinta, além de
condenar o fechamento da agência, também exigiu do banco garantia
de emprego. “Aqui em Pernambuco, nós já estamos com 46
bancários demitidos e o banco continua fechando agências. Estamos
realizando este ato aqui em Moreno e, na próxima semana, vamos
estender nossa mobilização para as outras agências que o banco
está dizendo que vai fechar” explica Epaminondas Neto,
secretário de administração do Sindicato e funcionário do
Santander.
Munidos de faixas, cartazes e da
réplica ampliada de dois cheques no valor de R$ 465 mil, quantia
paga aos diretores executivos do Santander, os diretores do Sindicato
conversaram com clientes e usuários da agência. Além de explicar
os motivos da manifestação, alertaram para as graves consequências
que o fechamento da unidade pode trazer para a cidade e para quem
utiliza os serviços do banco.
Os sindicalistas também colheram
assinaturas para o manifesto por mais funcionários no Santander. A
população apoiou a iniciativa e se mostrou preocupada com o
fechamento da unidade, já que o município dispõe apenas de duas
outras unidades bancárias. “Eu tenho conta aqui nessa agência
há 35 anos, desde o tempo do Bandepe. Agora eles querem fechar.
Assim fica difícil para a gente. Eu não quero mudar de banco e nem
quero mudar para o Santander de Vitória do Santo Antão”,
externou a aposentada Josefa Maria de Oliveira.
O mesmo ocorreu com a dona de casa Ana
Maria da Conceição, poupadora da agência, também desde a época
do Bandepe, há 25 anos. “Eu acho horrível. Já são poucos
bancos aqui em Moreno. Eu tenho minha poupancinha e não quero que
levem para outro banco”, reclama.
Discussão no Parlamento -A
diretoria do Sindicato aproveitou a oportunidade e procurou a Câmara
Municipal do município. Segundo o presidente da Casa, vereador Admilson Barbosa (PSD), o fechamento da agência do
Santander em Moreno vai ser um prejuízo muito grande para a
população. O vereador também agradeceu ao Sindicato pela luta e
disponibilizou um espaço na agenda da Câmara para debater o assunto. A
audiência será na próxima terça-feira, dia 20, no plenário.
Também se dispôs a enviar
correspondências com a assinatura dos vereadores para a
direção do banco, manifestando a preocupação do legislativo local
em relação ao fechamento da agência. “Hoje, somamos um total
de 60 mil habitantes e eu acredito que vai ser difícil para nós
perdemos essa agência. Nós só tomamos conhecimento deste fato
agora, através do Sindicato, e o legislativo municipal verá a
melhor maneira de impedir esse acontecimento”, destacou Admilson
Barbosa.
Em virtude do clima de pânico que
imperava na cidade em decorrência da greve da Polícia Militar, o
comércio, as instituições públicas e os bancos fecharam as portas
pouco antes das 11 horas da manhã. Mesmo assim, não comprometeu a
manifestação dos bancários. “Visitamos a agência,
conversamos com a população, entregamos uma carta aberta, colhemos
assinaturas do manifesto por mais funcionários no banco e fizemos a
discussão com os dois únicos bancários da agência, já que os
outros foram demitidos”, analisa Teresa Souza, diretora da
Fetrafi-NE (Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro no
Nordeste) e funcionária do Santander.