Violência da Polícia marca reintegração de posse do Cais José Estelita

O uso da violência
marcou a reintegração de posse do Cais José Estelita, ocorrida na
manhã desta terça-feira, dia 17. O Batalhão de Choque e a
Cavalaria da Polícia Militar chegaram antes da 6h da manhã e
surpreenderam as pessoas acampadas, com bombas de gás lacrimogêneo
e uso da violência física, para retirá-las do local e devolvê-lo
ao Consórcio Novo Recife.

“Fui impedida de entrar na
ocupação para negociar a saída pacífica dos ativistas. Não se
tratou apenas de cumprimento de uma decisão judicial, mas de uma
ação que tinha claro propósito de uso arbitrário da violência”,
afirmou a advogada Liana Cirne.

Ela é integrante do grupo
Direitos Urbanos, um dos organizadores das manifestações contra o
projeto Novo Recife, que pretende construir torres comercial e
residenciais de luxo na área. Ações ainda correm na Justiça para
julgar a legalidade da venda da área e da aprovação do projeto.

De acordo com Liana, a reintegração ocorreu à revelia do
acordo firmado com as secretarias estaduais de Defesa Social e
Direitos Humanos. “O acordo previa que o eventual mandado de
reintegração de posse não seria feito sem uma advertência com,
pelo menos, 48 horas de antecedência e com a presença do Ministério
Público”, afirma Liana.

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Na noite desta segunda 16, a
secretaria de Defesa Social garantiu à advogada que o mandado não
seria cumprido nesta terça. “Foi uma escolha do governo de
Pernambuco, do governador João Lyra, que permitiu que o acordo de um
das suas secretarias fosse cumprido”, completou Liana, que também
foi vítima da violência policial.

O promotor do Ministério
Público de Pernambuco, Ricardo Coelho, manifestou, no Facebook, sua
“indignação pela ação violenta e covarde da Policia Militar
contra os manifestantes do Cais José Estelita. A PMPE foi
instrumentalizada para atender interesses espúrios, quando as partes
estavam negociando e havia um acordo de paz. O lamentável episódio
só serve para acirrar os ânimos e em nada contribui para a paz
social”.

O Ministério Público Federal também publicou
uma nota de repúdio à reintegração. A instituição reitera que
“o mandado de reintegração foi cumprido de forma arbitrária e
com medida típica de cumprimento de ordens contra criminosos, sem
conhecimento do Ministério Público e dos representantes do
movimento de ocupação”.

Os integrantes do movimento Ocupe
Estelita estavam acampados na área desde 21 de maio, após o
Consórcio Novo Recife iniciar as atividades para a construção do
projeto.  

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