A 16ª
Conferência Nacional dos Bancários, realizada em Atibaia, iniciou seus debates
com o painel sobre Emprego e
Reestruturação Produtiva. Compuseram a mesa a bancária e pesquisadora Ana Tércia
Sanches, especialista em economia do trabalho e sindicalismo, as técnicas do
Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos),
Vivian Machado e Bárbara Vasquez e o juiz do trabalho, Grijalbo Fernandes
Coutinho.
>> Confira a
matéria: Novas tecnologias beneficiam bancos e prejudicam bancários e
clientes
O juiz do
trabalho Grijalbo Fernandes Coutinho fez um panorama sobre a precarização do
trabalho no mundo e lançou, ao movimento sindical, um desafio: “O trabalho tem que fazer sua parte, porque o
capital está fazendo a dele”.
Ele refere-se
à perda de direitos com a terceirização que, ampliada para a atividade-fim,
fragilizaria ainda mais o trabalho e a organização sindical. “O que está em
jogo não é só a redução da força de trabalho, mas um projeto político de
massacre do trabalhador”, diz Grijalbo.
Segundo o
juiz, este não é um projeto novo. Este
cenário teve início nos anos 50, no Japão, e refletiu no resto do mundo a
partir da década de 70. Suas bases estão na sub-contratação, terceirização e
captação da subjetividade do trabalhador por meio da falsa ideia de que a
empresa pertence a todos. Acentua-se, globalmente, com a introdução de novas
tecnologias, fusões e incorporações e progressiva quebra na rigidez dos
contratos.
Os impactos
deste projeto em um país como o Brasil são ainda mais danosos ao trabalhador.
“Trata-se de uma economia capitalista dependente com raízets em um modelo
escravagista-colonial, no qual as estruturas arcaicas foram mantidas,
aprofundando as desigualdades e a exclusão social”, afirma Grijalbo.
Os efeitos da
precarização são, portanto, maiores:
atualmente, são 90,1 milhões de empregados no Brasil, mas os
trabalhadores informais, ainda que tenham diminuído, somam mais de 14 milhões.
Outros 41 milhões de trabalhadores têm ocupações precárias.
Mesmo entre
os trabalhadores formais, a imensa maioria sofre com a precarização salarial,
entre eles os terceirizados. “Cada vez mais, o trabalho vem sendo esvaziado de
sua centralidade para ser ocupado por um sub-proletariado. O número de
correspondentes bancários, por exemplo, passou de 14 mil, em 2000, para 405
mil”, afirma o juiz. E completa: “A ampliação da terceirização para a atividade
fim significa um golpe de morte no direito trabalhista. Se isso acontecer, a
Constituição Brasileira deixa de valer para os trabalhadores”.
Reestruturação é
precarização – O impacto da automação, as reestruturações
produtivas e precarização do trabalho também foram abordados pelas técnicas do
Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos)
Barbara Vasquez e Vivian Machado.
Segundo Barbara, no final da década de 1990 se deu a conclusão do
processo de automação bancária, que teve como principal impacto cortes de
emprego e terceirizações, gerando intensificação profunda na rotina de
trabalho.
A partir de 2011, os bancos passaram a investir ainda mais em tecnologia
e na expansão dos correspondentes bancários para combater o crescimento da
oferta de trabalho. Segundo o Dieese, 34.466 postos de trabalho já foram
cortados por cinco grandes bancos do país, desde março de 2011.
Essa é uma tendência que tem se mantido em 2014. Barbara citou dados da
última pesquisa sobre emprego bancário divulgada pela Contraf-CUT e Dieese, no
dia 18 de julho, com base nos números do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, que aponta saldo negativo de
621%. O único banco a destoar nesse cenário é a Caixa Federal.
Quinta onda – O cenário
atual do sistema financeiro é definido pelas técnicas do Dieese como a “quinta
onda” de inovação bancária, marcada por meios eletrônicos de pagamentos.
Com 273 milhões de celulares habilitados no Brasil, os bancos estão
apostando na plataforma mobyle pyament, que viabiliza os meios eletrônicos
de pagamentos. “Inclusão financeira não é o mesmo que bancarização. O
objetivo deste modelo é tirar o papel moeda de circulação”, alertou Vivian
Machado.
Segundo ela, alguns bancos já lançaram, em parceira com operadoras de
telefonia móvel, vários serviços de transações móveis. Através de aplicativos
de smartphone já é possível fazer, por exemplo, compensação de cheque via
celular.
Para ela, o grande desafio, hoje, dos trabalhadores do sistema financeiro
é como lutar contra o avanço desse processo.
>>Confira a cobertura completa da Conferência Nacional dos Bancários