Negociações específicas com a Caixa começam mal

Começaram
mal as negociações específicas entre o Comando Nacional dos
Bancários e a Caixa Econômica Federal. Na primeira reunião da
Campanha 2014, realizada nesta quinta-feira, dia 21, em Brasília,
não houve avanço na discussão focada nas reivindicações sobre
saúde.

Segundo a secretária de Bancos Públicos do
Sindicato, Daniella Almeida, as principais demandas cobradas pelo
Comando foram o fim do assédio moral, a suspensão das metas
individualizadas com programa de Gestão por Desempenho de Pessoas
(GDP) e melhores condições de trabalho.

“Não conseguimos
avançar nos pontos discutidos na reunião de hoje. Voltamos para
a casa com a missão de ampliar a mobilização dos bancários para
pressionar a Caixa. Esta será mais uma Campanha duríssima, mas
vamos quebrar a intransigência do banco mostrando que os empregados
estão prontos para a luta”, afirma Daniella, que representou os
bancários de Pernambuco na primeira rodada de negociações com a
Caixa.

A segunda rodada ficou agendada para o dia 29 de agosto
para tratar das reivindicações sobre a Funcef, aposentados e
isonomia. A sugestão é de que as demais rodadas ocorram no dia 8 de
setembro (condições de trabalho, segurança, contratação e
terceirização) e no dia 12 de setembro (carreira, jornada e Sistema
de Ponto Eletrônico).

GDP

No caso do GDP, a maior queixa do movimento sindical é de que a
medida foi imposta de forma unilateral pela direção do banco e fere
todos os princípios coletivos da relação de trabalho, atuando como
um verdadeiro “canto de sereia”.

“O
GDP institucionaliza a cobrança de metas individuais, rotula o
empregado, cria remunerações variáveis e abre espaço para
rankings de desempenho, com o consequente aumento no volume de
situações de adoecimento no trabalho. Se não discutirmos o fim do
programa, a saúde dos trabalhadores ficará seriamente comprometida,
o que é inadmissível”, protestou Fabiana Matheus, coordenadora da
Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), que assessora o
Comando nas negociações com o banco.

Entretanto, a Caixa
frustrou os trabalhadores, pois recusou a reivindicação de
suspender o programa de GDP durante a Campanha 2014 para posterior
negociação do modelo com os representantes dos trabalhadores.

Os
sindicatos sustentaram que o
atual GDP estipula metas abusivas e deixa o ambiente propício a
práticas de assédio moral. Os representantes dos trabalhadores
reforçaram que estão atentos a qualquer descumprimento da Convenção
Coletiva de Trabalho (CCT), que proíbe a divulgação de ranking
individual de empregados.

Saúde
Caixa –
Foi
formalizado o acordo para que seja elaborada uma proposta de
metodologia para a utilização dos superávits anual e acumulado do
Saúde Caixa. Essa proposta deverá ser construída no âmbito do GT
Saúde do Trabalhador, com desfecho até a primeira quinzena de
dezembro.

A discussão sobre o destino do superávit é uma
reivindicação que visa à ampliação de coberturas e melhorias
gerais no plano de saúde, com a utilização do resultado anual, com
devido aporte da parte da Caixa (70%), para melhorias no plano, com
base em parecer de assessoria técnica contratada.

A Caixa
aceitou algumas reivindicações que constam na pauta específica,
como a eliminação da carência de 30 dias entre um atendimento e
outro, quando se tratar de pronto-socorro, e o item de garantia do
Saúde Caixa na aposentadoria para todos.

Foram negados,
porém, a anistia das dívidas do antigo Programa de Assistência
Médica Supletiva (Pams) e o custeio de procedimentos médicos não
incluídos no rol da Agência Nacional de Saúde (ANS).

Outros
assuntos –
Os
representantes dos trabalhadores reivindicaram o fim do assédio
moral e sexual, assim como de todas as formas de violência
organizacional, com a inclusão de punição aos
assediadores. Ficou
definida a implantação, a partir de novembro, do projeto-piloto
debatido no Fórum Paritário sobre Condições de Trabalho, uma das
conquistas da Campanha Nacional 2013, com vistas a melhorar a
situação dos empregados em todas as unidades.

A Caixa, no
entanto, recusou-se
a atender a proposta de incorporação da gratificação de função
e do Complemento Temporário Variável de Ajustes de Mercado (CTVA)
para empregados que forem obrigados a afastar-se de determinada
atividade em razão de problemas de saúde.

Também esteve em
debate a adoção da remuneração-base para fins de cálculo dos
adicionais de insalubridade e periculosidade, assim como o
reconhecimento, por parte da Caixa, do avaliador de penhor,
tesoureiro e caixa como atividades insalubres. A posição assumida
pelo banco é de cumprir o que determina a legislação.

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