Nesta quinta, 2 de
outubro, os bancários, em greve no país inteiro, trazem à tona a
discussão sobre o papel dos bancos e, em especial, do Banco Central.
Haverá manifestações em dez capitais, incluindo o Recife, para
combater as propostas políticas que os bancos colocaram na agenda da
eleição presidencial deste ano, entre elas a independência do
Banco Central, a limitação do papel dos bancos públicos e o fim do
crédito direcionado. Em Pernambuco, os bancários realizam ato na
sede do Bacen, que fica na Rua da Aurora, com apresentação cultural
e muito bom humor.
Para a presidenta do Sindicato, Jaqueline
Mello, é preciso que a população tome consciência dos riscos de
deixar a política econômica e o controle dos juros do país nas
mãos dos banqueiros. “Isso é tudo o que eles querem. Não é por
acaso que eles já deixaram claro que têm um lado na disputa
presidencial. Pois bem: nós também temos o nosso, e certamente vai
na direção oposta”, afirma.
O presidente da Contraf-CUT
(Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro),
Carlos Cordeiro, ressalta que os bancários querem desenvolvimento
econômico e social, com geração de emprego e distribuição de
renda. “O mercado financeiro age para concentrar a riqueza, num
país que, apesar dos avanços da última década, continua sendo um
dos doze mais desiguais do planeta. O Brasil não pode ficar refém
dos rentistas e dos especuladores, que manipulam o mercado e as
consciências apenas em busca do lucro fácil, sem se importar com a
população e com o futuro do país”, denuncia.
Ele
acrescenta que o Bacen já desfruta hoje de autonomia excessiva e de
aproximação promíscua com os bancos. “A independência formal
significa entregar a condução da política macroeconômica do país
a esse mercado financeiro especulador e irresponsável, roubando essa
atribuição constitucional dos governos democraticamente eleitos
pela população. Seria transformar o BC no sindicato nacional dos
bancos. O que o Brasil precisa, ao contrário, é de um BC
independente dos bancos e da democratização do Copom, com a
participação da sociedade”, argumenta o presidente da
Contraf-CUT.
Defesa dos bancos públicos – O Comando
Nacional dos Bancários também defende a ampliação do papel das
instituições financeiras públicas, ao contrário do que pregam os
bancos privados e alguns candidatos à Presidência da República.
Enfraquecê-las, significaria abrir mão de um poderoso instrumento
de fomento de políticas públicas.
Na crise de 2008, enquanto
os bancos privados fecharam as torneiras e encareceram o crédito,
BB, Caixa, BNDES, BNB e Banco da Amazônia ampliaram a participação
na oferta de crédito, saltando de 36% para 51% entre janeiro daquele
ano e dezembro de 2013, o que manteve o mercado de consumo aquecido e
gerando empregos – reduzindo os efeitos negativos da crise.
“Agora,
os bancos privados, paladinos do livre mercado, querem usar o Estado
para reduzir o papel dos bancos públicos. Essa redução, combinada
com o fim do crédito direcionado, significaria a extinção dos
financiamentos a juros mais baixos da agricultura familiar, dos
programas de moradia como Minha Casa Minha Vida, do microcrédito e
das obras necessárias de infraestrutura de portos, aeroportos,
rodovias, ferrovias, geração e transmissão de energia”,
alerta Carlos Cordeiro.
Além de Recife, haverá manifestações
no Banco Central de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo
Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza e Belém.