
Milhares
de pessoas lotaram a sede do Sindicato dos Bancários de Pernambuco
nesta quinta, dia 9, para participar da plenária dos movimentos
sociais e sindical em apoio à reeleição da presidenta Dilma
Rousseff (PT). A sede da entidade ficou pequena para abrigar tantos
apoiadores, que acabaram fechando a avenida Manoel Borba, onde fica o
Sindicato, no início da noite.
Os representantes dos
movimentos sociais
e sindical decidiram, na plenária, tomar as ruas em todo o estado de
Pernambuco para conversar com a população e mostrar que, neste
segundo turno, há dois projetos antagônicos em jogo: um
conservador, que visa manter os privilégios das elites que dominam o
país há mais de 500 anos; e outro, democrático e popular, que
busca garantir conquistas e direitos para todos e incluir aqueles que
sempre estiveram à margem da sociedade.
“O PT sempre foi um
partido das massas, que representa os trabalhadores e o povo mais
sofrido. Precisamos colocar a militância nas ruas para fazer o
debate com a população sobre o que está em jogo neste segundo
turno”, disse a presidenta do PT de Pernambuco, Teresa Leitão, que
acaba de se reeleger deputada estadual.
Além de Teresa,
participaram da plenária outros parlamentares, como o senador
Humberto Costa e os deputados federais João Paulo e Pedro Eugênio,
além de lideranças políticas do estado.
Que país
queremos? – A presidenta do
Sindicato, Jaqueline Mello, diz que a entidade se sente honrada por
receber milhares de militantes que querem discutir o futuro do país.
“Temos dois projetos políticos colocados neste segundo turno e o
Sindicato, assim como o Comando Nacional dos Bancários, apoia a
reeleição de Dilma Rousseff. O candidato Aécio tem o apoio da
elite economia do país. Ou seja, de um lado estão os trabalhadores,
do outro os empresários mais ricos do Brasil. Isso mostra claramente
para quem cada um dos candidatos vai governar caso seja eleito”,
afirma Jaqueline.
A plenária em apoio à Dilma foi realizada
no Sindicato no mesmo dia em que o já nomeado ministro da Fazenda em
um eventual governo de Aécio Neves, Armínio Fraga, ex-presidente do
Banco Central na era FHC, defendeu a redução do papel dos bancos
públicos na economia brasileira. Em um áudio divulgado pelo blog “O
Cafezinho”, ele chega a dizer que não sabe bem “o que vai
sobrar (dos bancos públicos)
no final da linha, talvez
não muito”.
No trecho da apresentação, Armínio afirma
que o modelo brasileiro formado por “três grandes bancos
públicos em atuação”, BNDES, Banco do Brasil e Caixa
Econômica Federal, “não é um modelo favorável ao
crescimento, ao desenvolvimento” do país.
Para Jaqueline, esse discurso do homem forte da política
econômica de Aécio Neves mostra que os bancos privados terão
privilégios num eventual mandato tucano. “Mas, pior do que isso: a
redução do papel dos bancos públicos vai acabar com importantes
programas sociais, como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e
os financiamentos que ajudam a impulsionar a Agricultura Familiar, as
pequenas empresas… Além de tudo, para os bancários do BB, da
Caixa e do BNB, sobrarão milhares de demissões, arrocho salarial e
retirada de direitos, justamente o que ocorreu na era FHC”, diz
Jaqueline.
Em recente entrevista para o jornal O Estado de São
Paulo, Armínio Fraga foi enfático: “O salário mínimo cresceu
muito ao longo dos anos. É uma questão de fazer conta. Não apenas
o salário mínimo, mas o salário em geral… Esse é outro tema
que precisa ser discutido, sob pena de engessar o mercado de
trabalho”.
Armínio
Fraga, e o próprio Aécio, têm defendido em conversas privadas com
o empresariado a adoção de medidas impopulares no ano que vem. Na
entrevista do Estadão, Fraga disse: “O custo de tomar as
medidas impopulares é muito menor do que o de não tomar. As pessoas
têm de cair na real”.
Os
tucanos também defendem a terceirização de todas as áreas,
inclusive nas atividades-fim, com vários projetos no Congresso que
praticamente acabam com a CLT e com a carteira de trabalho. O fator
previdenciário é outro mal criado pelos tucanos, que acabou com a
aposentadoria de muita gente.
“Já com Lula e Dilma, houve
uma valorização histórica no salário e proteção aos direitos,
além da geração de
milhares de empregos. Para
os bancários dos bancos públicos que viveram a era tucana e a era
petista, visualizar essas diferenças é muito fácil”, finaliza
Jaqueline.