
O
Sindicato realizou, nesta quinta-feira (23), mais um ato em defesa
dos bancos públicos. Desta vez, a mobilização ocorreu em frente à
agência do Banco do Brasil da Avenida Rio Branco. Bancários e
clientes apoiaram o repúdio do Sindicato às
ameaças de sucateamento e privatização dos bancos públicos, que
surgiram na campanha do candidato a presidente da República, Aécio
Neves (PSDB). O
Sindicato já havia realizado atos na quarta-feira, dia 22 (leia
aqui).
>> Veja a galeria de fotos do protesto
Em
decisão nacional, a categoria bancária firmou apoio à candidata de
Dilma
Rousseff,
por acreditar que a continuidade do governo do Partido dos
Trabalhadores é essencial ao fortalecimento dos bancos públicos e à
manutenção dos programas sociais.
Segundo
a presidenta do Sindicato, Jaqueline
Mello, a
decisão de apoio a Dilma nessas eleições foi tomada durante a
Conferência Nacional dos Bancários, realizada no final de julho.
“Entendemos que houve grandes avanços para os trabalhadores nos
governos do PT, em contraponto aos governos do PSDB, que arrocharam
salários e geraram desemprego. Agora, são dois projetos em jogo, e,
sem dúvida nenhuma, a candidatura de Dilma é a única que
representa os interesses dos trabalhadores”, diz Jaqueline.
O
secretário-geral do Sindicato, Fabiano Félix, que é funcionário
do BB, destaca que os bancos públicos têm um papel estratégico
para a distribuição de renda no Brasil. Ele lembra que o governo
Fernando Henrique Cardoso demitiu 25 mil funcionários do BB, por
meio de Programa de Demissão Voluntária. “Mas de voluntária a
demissão não tinha nada”, afirma Fabiano. “Eram os chamados
três ‘R’: Rondônia, Roraima ou Rua. O banco afirmava que precisava
reduzir o quadro de funcionários para aumentar a eficiência e
compensar o investimento em automação bancária”, conta o
dirigente, lembrando que o governo do PSDB estava preparando os
bancos públicos para privatizá-los.
Em 1998, ainda segundo
Fabiano, o BB percebeu que funcionar com tamanha redução de pessoal
era insustentável, dada sua extensa atuação e importância em todo
país. “Por isso, o BB voltou a fazer concursos, mas os bancários
que ingressam, a partir dessa época, passaram a ter menos direitos
do que os que haviam sido contratados antes de 1998”, conta.
Foi
necessária muita luta dos trabalhadores pela isonomia entre os
funcionários dos bancos públicos, após a precarização ocorrida
no governo FHC. “Perdemos anuênio, licença prêmio, não tivemos
reajuste salarial durante anos, e tínhamos uma participação muito
pequena nos lucros do banco. Os bancos públicos, aliás, nem
assinavam a convenção coletiva, e premiavam apenas seu alto
escalão, desvalorizando a base da pirâmide, composta pela grande
maioria dos funcionários”, explica Fabiano.
Durante os
governos Lula e Dilma, os bancos públicos foram fortalecidos e os
trabalhadores da categoria conseguiram muitas conquistas. No governo
FHC, os funcionários do BB tiveram uma perda salarial de 36,3% e uma
queda do emprego bancário de 36,3%. Enquanto nos governos Lula e
Dilma, os funcionários do banco conseguiram uma ganho salarial de
21,3% e um aumento do emprego bancário de 28%.
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